Google+ tentou ser igual ao Facebook e falhou, dizem desenvolvedores da rede

Por Redação | 27 de Abril de 2015 às 10h25
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Por mais que a gigante das buscas não admita publicamente, todos sabem que o Google+ anda mal das pernas. Principalmente após a saída de Vic Gundotra, um dos principais nomes por trás da plataforma, muito se fala sobre a extinção da rede social, que em breve será dividida em dois produtos diferentes – Photos e Streams – como uma maneira de tentar fazer com que seus usuários permaneçam engajados.

A mudança de estratégia não veio como novidade para ninguém, mas para quem trabalha no Google apareceu apenas como um resultado de algo que estava fadado ao fracasso desde o início. Isso, pelo menos, é o que afirmam muitos funcionários da gigante das buscas, entrevistados pelo site Business Insider em busca de entender como exatamente tudo funcionou para quem estava dentro da companhia. Eles, claro, não foram identificados.

O consenso é geral: o Google+ tentou ser demais como o Facebook e acabou oferecendo uma alternativa que não apenas veio sem diferenciais, mas também acabou se tornando complexa demais para os usuários. Eles não viam motivo para usar mais uma rede social, sendo que a de Mark Zuckerberg já oferecia aquilo que eles precisavam.

Além disso, o sistema de Círculos foi visto como uma camada adicional de dificuldade. Em vez de categorizar todos os contatos apenas como “Amigos”, os usuários do Google+ precisavam catalogar os adicionados em diversas categorias e, na hora de postar, escolher exatamente para quais categorias o conteúdo seria exibido. Tal opção, focada em privilegiar a privacidade e o conteúdo relevante, acabou sendo vista mais como um empecilho do que uma vantagem.

Outra fonte afirmou que o Google+ foi criado mais para resolver problemas da própria companhia do que como uma forma de apresentar algo significativo aos usuários. A ideia de que todos os perfis em serviços da empresa, como o Gmail, YouTube ou Docs, estariam vinculados à conta na rede social veio como uma maneira de gerar menos estresse aos servidores e garantir um gerenciamento centralizado. O resultado, porém, foi uma gigantesca quantidade de contas inativas e a divulgação de números gigantescos de usuários que não necessariamente correspondiam à atividade que era vista na rede.

Antes mesmo de seu lançamento, porém, o Google+ já era visto como fadado ao fracasso. Apesar de contar com o apoio de nomes importantes da companhia, como o próprio fundador, Larry Page, os desenvolvedores e diretores envolvidos com a rede social acabaram isolados em seus próprios escritórios, ganhando até mesmo um café exclusivo no qual os outros funcionários da gigante não podiam entrar.

Isso contribuiu para uma situação de pouca comunicação e, acima de tudo, quase nenhuma entrada de ar fresco para quem estava trabalhando no Google+. Na medida em que o projeto avançava, caía a motivação dos envolvidos e também a pluralidade de funções, uma vez que todos acabaram presos a um único projeto. Esse reflexo, porém, só foi enxergado por parte dos funcionários entrevistados, enquanto outros afirmaram que a criação de áreas restritas – mesmo quando se fala em salas de lazer ou convivência – é uma prática comum do Google para proteger a confidencialidade de seus projetos.

O grande prego no caixão do Google+ veio quando o diretor Vic Gundotra anunciou que estaria deixando a empresa, uma notícia que veio como surpresa para muitos dos envolvidos. Aos poucos, os desenvolvedores da plataforma começaram a acreditar mais naquilo que era dito na imprensa – de que a rede social estava próxima de seu fim – do que nas palavras dos diretores internos, que permaneciam comprometidos com o sistema.

Mesmo não admitindo o fracasso, o Google afirma que obteve sucesso apenas em parte da empreitada. A empresa não comentou sobre a matéria do Business Insider, mas disse, no anúncio da nova faceta do Google+, que foi bem-sucedida em criar um sistema integrado de logins, bem como uma maneira de compartilhar fotos e acontecimentos com o mundo. São justamente esses os fatores que continuarão a existir, mesmo que a plataforma deixe de existir como uma rede social propriamente dita.

Fonte: Business Insider

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