Flipagram fecha parceria com gravadoras para reprodução de músicas na plataforma

Por Rafael Romer | 16.07.2015 às 11:10

O aplicativo para criação de vídeos curtos Flipagram anunciou nesta quinta-feira (16) que fechou uma série de acordos de licença global com gravadoras para a reprodução de músicas dentro de sua própria plataforma.

Entre os selos que fecharam parceria com o serviço estão o Universal Music Group, Sony Music Entertainment, Warner Music, Merlin e The Orchard, além das editoras de música Sony/ATV Music Publishing, Universal Music Publishing Group e BMG.

Com os novos acordos, usuários da plataforma poderão ter acesso às bibliotecas completas de músicas das gravadoras para criarem seus próprios mini vídeos dentro do Flipagram. Agora, usuários poderão utilizar gratuitamente trechos de até 30 segundos das músicas para colocar em seus Flipagrams. Se quisessem escolher um trecho específico ou maior de uma música, o usuário precisará adquiri-la através de uma loja virtual.

Lançado há pouco mais de um ano e baseado em Los Angeles, na Califórnia, o Flipagram permite criar clipes, que podem reunir fotos, vídeos, texto e áudio editáveis pelo usuário. Além disso, a plataforma também possui funcionalidades de rede social, como curtidas, comentários e os chamados "reflips" - quando um usuário reproduz um Flipagram de outra pessoa para seus próprios seguidores.

"Nós nos vemos de forma diferente das atuais redes sociais, porque elas geralmente são focadas no momento: uma foto, um clipe de seis segundos, um snap efêmero", explicou Farhad Mohit, cofundador e CEO do Flipagram. "Nós focamos em profundidade e narrativas, para o usuário se expressar através de suas histórias".

Hoje, a música é um dos elementos mais importantes dentro dos clipes. A plataforma integra uma ferramenta que mostra para os usuários qual a música utilizada em determinada Flipagram, permitindo que a pessoa visite a página do artista dentro do Flipagram ou clique para ouvi-la diretamente no Spotify.

Com as novas parcerias, o serviço também passará a promover mensalmente artistas com perfis certificados dentro da plataforma, através de uma aba nova que mostrará os artistas mais populares do site. Sempre que algum usuário fizer um Flipagram contendo uma música daquele artista, o músico poderá "reflipar" a obra do usuário em seu próprio perfil. "É como um autografo digital do seu artista favorito, reconhecendo que eles gostaram da sua história", brincou Mohit. O primeiro artista promovido da plataforma será o rapper norte-americano Pitbull.

A empresa não abriu detalhes sobre o modelo de contrato fechado com as gravadoras, mas afirmou que o negócio deverá ser baseado em uma divisão de receitas entre artistas e gravadoras. O mistério que ainda permanece é de onde virão tais receitas: o Flipagram é inteiramente gratuito e ainda não tem nenhuma receita própria com sua plataforma, ainda que veja potencial para diferentes tipos de monetização.

Apesar de não revelar os números, hoje já há dentro da comunidade de usuários do app um número considerável de músicos, artistas pop e marcas com perfis certificados, que incluem personalidades como Britney Spears, Jessica Alba, Maroon 5 e Jamie Fox. Uma das possibilidades seria utilizar essa base e abrir espaço no futuro para algum tipo de postagem patrocinada ou ações promocionais dentro do Flipagram.

"O objeto em si é bem poderoso: você pode contar histórias em 30 segundos. É bastante simples pensar em maneiras com que isso poderia ser monetizado", comentou o CEO da plataforma. "Mas a questão é que queremos primeiro as pessoas utilizando o Flipagram, então nosso objetivo agora é criar um produto melhor".

Por ora, a companhia se mantém com investimentos obtidos nesse pouco mais de um ano de atuação. Pela primeira vez, o Flipagram abriu a informação de que recebeu investimentos de US$ 70 milhões (aproximadamente R$ 220 milhões) feitos pelos fundos de investimentos Sequoia, Kleiner Perkins Caufield & Byers e Index Ventures em fevereiro de 2014. A partir de hoje, Michael Moritz, presidente da Sequoia; e John Doerr, sócio da Kleiner Perkins Caufield & Byers, também farão parte do quadro de diretores do Flipagram

A rede social fechou seu primeiro ano com uma base de 33 milhões de perfis, com uma média de 14 milhões de vídeos criados mensalmente. Os Estados Unidos concentram sozinhos 40% do total de usuários ativos e é o primeiro mercado global para a plataforma. O Brasil é o segundo país em número de usuários, seguido pelo Reino Unido, Japão e México. O Flipagram, no entanto, não revela a porcentagem de usuários dos outros países do top 5.

Mohit ainda é cauteloso para falar sobre o futuro da companhia e não abre números sobre as expectativas de crescimento ou próximos passos do Flipagram. O Brasil, no entanto, é um dos protagonistas nos planos da empresa. De acordo com o CEO, o país é um dos mercados mais importantes para a plataforma hoje e deverá ter uma equipe local do serviço "nos próximos 12 meses". A expectativa de Mohit é que o time brasileiro fique responsável pelo contato com artistas nacionais, conforme a plataforma expanda suas integrações com músicas.