Faceglória: rede social gospel proíbe palavrões, mas só no idioma português

Por Redação | 07.07.2015 às 09:36 - atualizado em 08.07.2015 às 08:02
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No mês passado, um grupo de evangélicos lançou o que se pode considerar a primeira rede social gospel do Brasil. Em uma clara referência ao Facebook, o chamado Faceglória tem conquistado espaço entre a comunidade cristã brasileira e, em apenas 30 dias, já atraiu mais de 100 mil membros.

A proposta é simples: oferecer praticamente as mesmas ferramentas do site de Mark Zuckerberg, com a diferença de que estão proibidos palavrões, imagens ou vídeos de cunho erótico e qualquer outro tipo de conteúdo que promova violência e pornografia. De acordo com os criadores da plataforma, o serviço possui uma lista negra com mais de 600 termos bloqueados nas mensagens e não permite a postagem de fotos e vídeos de coisas que vão contra a doutrina cristã.

Mas até que ponto vai essa filtragem do que pode e o que não pode ser divulgado? A repórter Kate Knibbs, do Gizmodo, resolveu fazer um teste: criar um perfil falso no Faceglória e tentar publicar tudo aquilo que o site proíbe por meio de um sistema automático de moderação.

Após pesquisar no Google "as palavras mais ofensivas em português do Brasil" e tentar postá-las, a rede social prontamente exibia o aviso de que era preciso revisar o texto porque nem todas as palavras poderiam ser inseridas na conta fake. Até aí, o mecanismo de segurança do site fez seu trabalho e impediu a divulgação desse conteúdo.

Faceglória

Só que a situação mudou completamente quando Kate postou a mesma mensagem escrita em inglês. Como o sistema deve estar programado para reconhecer apenas palavrões ou conteúdo na língua portuguesa, qualquer outro idioma está liberado, independentemente daquilo que o usuário quer postar. Por exemplo, para testar como o filtro só identifica o português, Kate publicou em inglês a letra de Nookie, música da banda Limp Bizkit que fala sobre traição e adultério. E o site não proibiu a postagem.

Como dito anteriormente, o Faceglória também não permite fotos e vídeos que façam referência a sexo, cigarro, álcool e drogas, nem conteúdos que mencionem relacionamentos homossexuais. Até imagens do usuário de sunga ou biquíni estão proibidas, segundo os termos de uso da rede social. Mas, novamente, as regras só valem se o internauta escrever em português. Em outro teste, Kate publicou um vídeo em inglês de um casal gay se beijando e mais uma vez a plataforma não mostrou nenhum tipo de aviso de que aquele conteúdo era "inadequado" para o serviço.

Kate ainda publicou outras imagens que sequer foram bloqueadas pelo site. Uma delas mostra um Jesus erotizado e em outra a mensagem "Provavelmente não existe Deus. Agora pare de se preocupar e aproveite sua vida".

Faceglória

Até o fechamento desta notícia, os criadores do Faceglória não se manifestaram sobre o assunto. O que se sabe é que a rede será mundial e até recebeu um investimento de US$ 16 mil de Acir dos Santos (PSDB), prefeito de Ferraz de Vasconcelos (SP). "Compramos também o domínio Faceglory em inglês e em todos os idiomas que se possa imaginar. Queremos incomodar o Facebook e o Twitter tanto no Brasil como no mundo", disse o político.

Nos termos de uso e condições a equipe do site deixa claro que, embora qualquer pessoa possa se cadastrar gratuitamente, a startup pode cancelar qualquer registro, sem prévio aviso, caso o usuário viole "os princípios legais e bíblicos afetos à moral e aos bons costumes". Contudo, no texto não há nada específico sobre como funciona exatamente o processo de filtragem do conteúdo, nem se ele é avaliado de acordo com o idioma.

Os criadores ainda afirmam que a expectativa é alcançar 10 milhões de usuários no Brasil em apenas dois anos. Segundo eles, outro pico de crescimento deve acontecer nos próximos dois meses, quando o Faceglória deve ganhar versões para dispositivos móveis.

Fontes: Gizmodo, AFP, BBC