Facebook será intimado para desistir de criptografar seus apps de mensagens

Por Rafael Rodrigues da Silva | 03 de Outubro de 2019 às 19h50
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Parece que os planos do Facebook de levar a criptografia ponta a ponta do WhatsApp para todos os seus aplicativos de mensagem estão com os dias contados, já que, nesta quinta-feira (3), alguns veículos de imprensa ficaram sabendo que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos pediu para que a empresa abandonasse esse projeto.

Por enquanto, o pedido ainda não foi oficializado, mas o governo dos Estados Unidos pretende torná-lo público em uma carta que será publicada na sexta-feira (4), assinada pelo Procurador da República, William Barr, pelo Secretário de Segurança Pública dos EUA em exercício, Kevin McAleenan, pelo Secretário de Segurança Pública do Reino Unido, Priti Patel, e pelo Ministro de Segurança Pública da Austrália, Peter Dutton.

De acordo com o rascunho da carta, obtida por repórteres do BuzzFeed News e do New York Times, o documento pedirá que o Facebook abandone a ideia de ampliar a criptografia de ponta a ponta para todos os seus aplicativos de mensagens enquanto não conseguir assegurar que a rede social realmente protege a privacidade dos dados de seus usuários.

A maior preocupação das autoridades que assinam a carta é de que essa proposta do Facebook possa atrapalhar investigações criminais, já que garantiria que qualquer troca de mensagens efetuada pelos aplicativos da companhia fosse impossível de ser decifrada sem o acesso ao telefone pelo qual elas foram enviadas ou recebidas — o que tornaria todos os apps de mensagens um “local seguro” para a troca de mensagens entre grupos terroristas, membros do crime organizado e cartéis de pedofilia.

A criptografia de ponta a ponta também impediria a investigação de esquemas de manipulação eleitoral que fossem combinados através dos aplicativos de mensagem do Facebook. Segundo reportagem do New York Times, somente no ano passado foram quase 12 milhões de casos de abuso sexual infantil investigados com a utilização de mensagens trocadas somente no Facebook Messenger.

Assim, a carta argumenta que o Facebook deveria facilitar — e não dificultar — o acesso das autoridades competentes a essas mensagens, fornecendo a elas uma forma de acessar facilmente o conteúdo das mensagens de pessoas investigadas por crimes. Ela também pede para que o Facebook e outras companhias de tecnologia levem em conta a segurança do público ao desenvolver seus aplicativos, facilitando a tarefa das autoridades de punir criminosos e proteger as vítimas.

Junto com a publicação da carta, é esperado que, também nesta sexta-feira (4), os Estados Unidos e o Reino Unido anunciem um acordo de compartilhamento de dados entre os países, facilitando as investigações em ambientes virtuais.

Ainda que as intenções pareçam nobres, é preciso sempre ver esses pedidos de facilitar o acesso a dados privados dos usuários com o pé atrás. Afinal, não podemos esquecer do caso da NSA revelado por Edward Snowden em 2013, no qual a agência de inteligência dos Estados Unidos usava o medo de uma nova ameaça terrorista como o ataque às Torres Gêmeas para espionar não apenas potenciais membros de células terroristas em todo o mundo, mas sim literalmente todas as pessoas que usavam a internet, tendo acesso a conteúdos de e-mails, trocas de mensagens e históricos completos de navegação de qualquer pessoa que algum dia já tivesse conectado à internet. Assim, é necessário ficar atento para que, mais uma vez, algo pensando na segurança dos cidadãos não seja usado como uma desculpa para espioná-los a todo momento.

Fonte: Engadget

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