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Facebook não controlava uso de dados dos usuários por parceiros

Por Felipe Demartini | 13 de Novembro de 2018 às 10h25
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O Facebook falhou em controlar a utilização de dados de seus usuários por parceiros da indústria mobile, principalmente desenvolvedores de softwares e fabricantes de aparelhos. A conclusão aparece em uma carta escrita pela empresa e entregue ao Congresso americano, parte de uma investigação da Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) sobre a segurança e direito à individualidade dos usuários da rede social.

O conteúdo, anteriormente suprimido devido ao fato de o processo ainda estar em andamento, foi revelado à imprensa americana pelo senador Ron Wyden, do estado do Oregon. No texto, assinado por Kevin Martin, vice-presidente de políticas públicas do Facebook, a empresa admite que falhou em um dos seis quesitos de privacidade e segurança avaliados a pedido do Congresso, em uma auditoria feita pela PricewaterhouseCoopers (PwC).

O ponto em questão tem a ver com o que a companhia chama de Facebook Experience, uma iniciativa de anos atrás que envolvia a união entre a rede social e a interface dos celulares, de forma a entregar temas personalizados ou informações diretamente na tela de bloqueio, por exemplo. Para isso, fabricantes de aparelhos e desenvolvedores de software tiveram acesso aos dados dos usuários, com o relatório concluindo que, após isso, a rede social não realizou nenhum controle sobre como tais informações estavam sendo utilizadas pelos parceiros.

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A auditoria analisou a relação entre o Facebook e duas outras empresas, a Microsoft e a BlackBerry (na época, ainda funcionando sob seu antigo nome, RIM). De acordo com o relatório, os usuários não deram seu consentimento expresso para esse tipo de compartilhamento, mas ele consta nos termos de uso da plataforma. A PwC considera problemática a ausência de mecanismos de controle em ambos os casos avaliados, o que teria levado a companhia a trabalhar nesse sentido posteriormente.

Mesmo depois, entretanto, a falta de acompanhamento chamou a atenção do senador Wyden. Na carta, o Facebook afirma que uma auditoria anterior considerou o fato de que parceiros teriam que aceitar as políticas de privacidade da rede social, mas, novamente, não existem indícios de que ela realizou um acompanhamento direto para garantir que as desenvolvedoras e fabricantes estavam efetivamente cumprindo as normas de privacidade e proteção dos dados dos usuários.

Segundo o relatório do Congresso dos EUA, o Facebook teria firmado acordos para criação de experiências com dezenas de fabricantes e desenvolvedores, incluindo sete das maiores empresas do setor. Tais relações teriam sido cortadas somente neste ano, após a detonação do escândalo da Cambridge Analytica, e os senadores apontam que, inclusive, alguns dos dados oriundos desse tipo de aliança teriam contribuído para as campanhas de manipulação política realizadas pela empresa na campanha de Donald Trump, em 2016.

Mais do que isso, de acordo com Wyden, o Facebook mentiu diante do Congresso ao afirmar que todas as suas parcerias estavam de acordo com as regras de privacidade, quando, na realidade, não tinha como saber isso. A palavra da empresa, segundo ele, não é boa o bastante para garantir a segurança dos usuários. O político considerou a falta de mecanismos de regulação preocupante.

Em resposta oficial, o Facebook afirmou estar comprometido com a privacidade das informações de seus usuários e ter atendido a todos os pedidos da FTC ao longo dos anos. A empresa ainda disse que conduz profundas auditorias de seus sistemas para garantir, justamente, essa proteção. A empresa, por outro lado, não falou diretamente sobre o resultado da auditoria realizada pela PwC a pedido do governo americano.

De acordo com o governo dos EUA, a revelação de apenas partes do relatório à imprensa, anteriormente, tem a ver com a proteção de segredos comerciais do Facebook. Ao publicar a carta completa, entretanto, Wyden disse estar lidando com conclusões bastante preocupantes e que, agora, trabalha ao lado de Sheryl Sandberg, diretora de operações da rede social, para que as conclusões sejam reveladas na íntegra.

Fonte: The New York Times

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