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Facebook estaria usando o próprio app para rastrear ex-funcionários e “ameaças”

Por Felipe Demartini | 15 de Fevereiro de 2019 às 12h40
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Em mais um escândalo de privacidade potencialmente grave, o Facebook está sendo acusado de usar o próprio aplicativo mobile para rastrear ex-funcionários problemáticos e usuários que tenham feito ameaças contra a rede social e seus executivos ou colaboradores. O software seria utilizado para compor uma “lista negra” que seria enviada à segurança da empresa, com identidades, fotos, informações e indicações para que os guardas fiquem atentos à presença destes indivíduos nas proximidades da companhia.

A denúncia foi feita por ex-funcionários da rede social à rede de televisão americana CNBC, que publicou os relatos nesta sexta-feira (15). Esse tipo de rastreamento aconteceria mundialmente e incluiria até mesmo, em algumas unidades, um grande monitor em que as imagens dos indivíduos marcados seria exibida continuamente como forma de marcar seus rostos para a equipe de segurança.

Fariam parte da “lista negra”, por exemplo, pessoas que fazem ameaças ao CEO Mark Zuckerberg e à diretora de operações Sheryl Sandberg, bem como aqueles que publicam na rede social que os executivos da companhia “vão pagar” pelo que fazem. Insultos a pessoal-chave da companhia também garantiria a inclusão, em uma relação que seria compartilhada com escritórios internacionais sempre que o fundador ou algum de seus companheiros mais próximos de trabalho viajam para tais locais.

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Na acusação mais grave, ex-funcionários também fariam parte dessa lista. A lista de antigos colaboradores problemáticos inclui aqueles que praticaram roubos dentro da empresa ou brigaram com colegas e todos aqueles que foram demitidos repentinamente. A denúncia também afirma que trabalhadores temporários ou freelancers que reagirem mal à não-extensão de seus contratos de trabalho também são incluídos.

As pessoas, normalmente, não sabem fazer parte da lista negra. A reportagem inclui um caso de um homem que foi convidado para almoçar com um amigo, que é funcionário do Facebook. Ele estava na relação devido a insultos proferidos em uma postagem de Mark Zuckerberg, tendo sido identificado assim que chegou à recepção da companhia. Ele não foi convidado a se retirar nem coagido por seguranças, mas o relato é que diversos guardas permaneceram próximos a ele durante todo o tempo que ele passou na empresa.

Em outro, entretanto, a lista negra foi essencial para localizar um suspeito de assediar funcionárias da rede social em Menlo Park, no estado americano da Califórnia. Com as informações da plataforma, a placa de um carro que rondava os escritórios da empresa foi associada a um indivíduo que acabou preso pela polícia por atentado ao pudor.

Acompanhando passos

Ameaças a Mark Zuckerberg e outros executivos do Facebook garantiriam inclusão na "lista negra" da segurança (Imagem: Divulgação/Facebook)

A denúncia explicita o procedimento usado pelo Facebook na identificação de casos desse tipo. Quando uma ameaça é feita, principalmente em relação a um evento, escritório ou executivo, o time de segurança da rede social realizaria o rastreamento do usuário responsável. Caso ele esteja distante, em outro estado, por exemplo, o alerta é reduzido. Ao mesmo tempo, ele aumenta caso o indivíduo efetivamente esteja próximo.

É aí que entra a maior denúncia, com o Facebook realizando verificações periódicas de localização e realizando o monitoramento de atividade para acompanhar o responsável pelas ameaças. Em alguns casos, tais informações também são repassadas às autoridades e ao suposto alvo, como forma de garantir sua segurança.

Os aplicativos mobile também seriam usados para outras verificações, que podem ser consideradas bem mais invasivas. A reportagem cita um caso de 2017, quando um grupo de estagiários não fez login na rede durante um dia de home office, o que fez com que a responsável por eles temesse pela segurança. Ao usar o rastreamento, a equipe de segurança descobriu que todos estavam em uma viagem e, inclusive, haviam usado o Messenger para combinar previamente essa falta ao trabalho.

Em comunicado oficial ao Canaltech, o Facebook confirmou possuir um time de segurança dedicado a proteger a integridade física dos funcionários e que eles usam medidas padrões da indústria para lidar com ameaças contra a empresa e seus colaboradores, também encaminhando questões desse tipo às autoridades quando necessário. Por outro lado, taxou como absolutamente falsas as afirmações quanto à quebra na privacidade dos usuários, afirmando ter processos rigorosos para protegê-los e cumprir todas as leis relacionadas a isso.

Quando perguntada especificamente, entretanto, o Facebook não comentou sobre a utilização deste ou outros dispositivos de segurança como a lista negra de usuários e ex-funcionários em seus escritórios no Brasil.

Fonte: CNBC

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