Facebook é acusado de permitir anúncios discriminatórios

Por Redação | 23 de Novembro de 2017 às 12h44
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O Facebook, mais uma vez, está sendo acusado de má gestão quanto aos anúncios veiculados na plataforma. A denúncia da vez é da agência de notícias ProPublica, que afirma que a rede social estaria permitindo a veiculação de propagandas discriminatórias, sejam elas destinadas a um grupo étnico específico ou que excluam usuários de certas classes sociais. Em alguns casos, até mesmo leis federais americanas estariam sendo descumpridas.

A denúncia faz parte de uma série de testes realizados pela agência, após o Facebook ter refutado a possibilidade de uma regulação estatal sobre seu sistema de publicidade, revelando que havia implementado novos sistemas para lidar com o problema. Se tais ferramentas existem, afirma a ProPublica, elas ainda estão longe de funcionar como deveriam.

Para testar o sistema, a organização criou anúncios fictícios de apartamentos para aluguel na cidade de Nova York, com foco em pessoas de 18 a 65 anos. Entretanto, de formas diferentes em cada uma das propagandas, solicitou a exclusão de determinados grupos minoritários como negros, judeus, asiáticos, hispânicos ou muçulmanos.

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Além disso, em outros anúncios, estereótipos específicos também teriam que ser deixados deliberadamente de lado. É o caso, por exemplo, de mães solteiras, homens homossexuais, surdos ou pessoas com necessidades especiais. Nestes casos, não é possível fazer uma seleção específica, então, a agência realizou as configurações de acordo com o interesse em páginas relacionadas a linguagem de sinais ou rampas e opções de acessibilidade.

Não foi muito grande a surpresa quando todos os anúncios solicitados receberam sinal positivo do Facebook. Em alguns casos, a propaganda chegou a ser aprovada em três minutos, enquanto o que levou mais tempo, possivelmente devido à sua associação com questões relacionadas à religião islâmica, teve sua veiculação iniciada 22 minutos depois de ser submetido. Em todos os casos, a ProPublica acredita que nenhum tipo de verificação manual ocorreu, com todos os casos sendo avaliados e certificados pelos sistemas automatizados da rede social.

O maior problema aqui é que, em alguns casos, as propagandas infringiam até mesmo a constituição norte-americana. As leis federais proíbem, por exemplo, anúncios que discriminem cidadãos por sua cor de pele ou origem, exatamente o que a ProPublica realizou com seus testes.

Além disso, a veiculação das propagandas também vai contra as políticas de uso do próprio Facebook. Em seus termos para anunciantes, a companhia proíbe a configuração de propagandas que sejam discriminatórias, bem com a criação de anúncios de ofertas de moradia, crédito ou emprego que tentem discriminar arbitrariamente grupos raciais, religiosos ou outras minorias. As mudanças, inclusive, fazem parte de um conjunto de normas aplicadas pela empresa no começo deste ano, justamente, para evitar esse tipo de coisa.

Aparentemente, a coisa não funcionou, com a agência de notícias afirmando ter sido o mais direta possível em suas configurações de anúncio e, ainda assim, as viu sendo aprovadas rapidamente. Após a aprovação, as campanhas foram apagadas do sistema e não chegaram a ser veiculadas, já que foram criadas somente para comprovar uma suspeita.

Em resposta, o Facebook atribuiu o problema a uma falha no sistema. Em declaração, a vice-presidente de gerenciamento de produtos, Ami Vora, disse que os anúncios configurados pela ProPublica deveriam ter sido marcados para revisão manual, mas um problema técnico impediu que isso acontecesse, levando as propagandas a serem aprovadas diretamente.

Por outro lado, a companhia alegou que esse é um problema pontual. Segundo Vora, milhões de anúncios discriminatórios ou fora dos padrões já foram bloqueados pelo sistema e levados para avaliação manual, por uma equipe dedicada a esse propósito. Além disso, a executiva afirmou que o Facebook trabalha constantemente para aprimorar seus sistemas, pois acredita que sempre pode fazer um trabalho melhor que o atual.

Fonte: ProPublica

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