Facebook diz que jamais usaria microfone para espionar usuários

Por Felipe Demartini | 02 de Julho de 2018 às 09h38
photo_camera Depositphotos
Tudo sobre

Facebook

A descoberta de uma patente que ligaria o microfone de um smartphone durante a exibição de propagandas, registrando e enviando a reação dos usuários de volta aos servidores do Facebook, levou a companhia de Zuckerberg a mais um pedido de desculpas. Dias após o surgimento do registro, a empresa veio a público para afirmar veementemente que tal recurso “jamais seria incluído” em algum de seus produtos.

De acordo com Allen Lo, vice-presidente de propriedade intelectual do Facebook, trata-se apenas de uma medida para evitar que tecnologias semelhantes sejam registradas de maneira “agressiva” por outras empresas. Como bem sabemos, o registro de patentes pode nem sempre significar um recurso em efetivo desenvolvimento, mas sim uma medida de proteção de criações para que uma empresa possa, por exemplo, ganhar royalties caso outros a desejem utilizar.

Poucas patentes, porém, são tão invasivas quanto a obtida pelo Facebook. Ao receber sinais inaudíveis ao ouvido humano, mas presentes em comerciais de televisão, o smartphone ligaria sorrateiramente o microfone (mesmo estando bloqueado) de forma a gravar a reação dos espectadores à propaganda, a devolvendo aos servidores da rede social para análise e, logicamente, melhoria os motores internos de exibição de anúncios.

Participe do nosso GRUPO CANALTECH DE DESCONTOS do Whatsapp e do Facebook e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.

Outros detalhes, porém, não ficam claros. Uma telemetria possível de ser obtida, por exemplo, teria a ver com o desligamento do aparelho durante um anúncio ou a mudança de canal, indicando rejeição. Mas, ao mesmo tempo, o que faria com que o aplicativo interrompesse a gravação? E se dados pessoais ou conversas privadas fossem registradas durante o intervalo?

Como se trata de um registro de funcionamento de tecnologia em si, a patente não tem a necessidade de se debruçar sobre questões éticas ou minúcias de funcionamento, como a existência, ou não, de autorização do usuário para essa coleta. Leis em vigência exigem esse tipo de anuência, mas, muitas vezes, estão perdidas em meio a grandes termos de uso, um tipo de complexidade que conjuntos de normas como o GDPR, da União Europeia, por exemplo, deseja acabar.

Por outro lado, essa é, também, o tipo de atitude que o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, já se mostrou veemente contra. Em depoimento diante do congresso dos Estados Unidos, em abril, ele afirmou que a ideia de que a rede social é capaz de ouvir seus usuários indevidamente, por meio do aplicativo e para fins de direcionamento de anúncios, é uma teoria da conspiração, estando bem longe da realidade.

Aí, então, surge uma patente desse tipo e a tal teoria da conspiração passa a parecer bem mais próxima da realidade, principalmente por fazer parte de uma noção já existente entre os usuários. Além da declaração de Lo, porém, o Facebook não falou mais sobre o assunto e a expectativa é que ele nem volte a fazer isso mesmo.

Fonte: TheNextWeb

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.