Facebook: curtidas em sites vão alimentar ferramentas de publicidade

Por Redação | 19 de Setembro de 2015 às 14h00

Novos dados começarão a ser aplicados em breve no algoritmo de direcionamento de publicidade do Facebook. A empresa anunciou que, a partir de outubro, as curtidas e compartilhamentos feitos por meio dos widgets do serviço em outros sites também passarão a contar como telemetria para a exibição de anúncios, que poderão aparecer tanto dentro da rede social quanto fora dela.

A notícia vem como uma surpresa, simplesmente pelo fato de tais dados não terem sido usados até agora. Disponíveis desde 2010, os botões poderiam ser aplicados em páginas por qualquer um, permitindo que os conteúdos fossem compartilhados na rede social e também utilizando seus sistemas para que os links fossem compartilhados e divulgados nela mesma.

Desde então, o Facebook vem coletando dados sobre a maneira com a qual os usuários interagem com tais funções, e agora está na hora de usar todo esse gigantesco volume de informação. O uso de botões externos para rastreamento de hábitos de utilização da internet levantou críticas e comentários negativos de agências que defendem a privacidade, o que não impediu que a companhia seguisse adiante com a ideia.

O problema acontece principalmente porque, da mesma maneira que um pressionamento no “curtir” em um site serve como uma indicação de que o usuário está interessado naquele conteúdo, o sistema também entende como relevante a ausência dessa ação. Ou seja, enquanto o visitante estiver logado no Facebook – algo comum para a maioria dos usuários –, ele continuará sendo rastreado, mesmo que não interaja com os widgets da rede social disponível nas páginas.

Essa prática levou organizações, entre elas a Electronic Frontier Foundation, a emitir notas de repúdio e pedir oficialmente ao Facebook que parasse de rastrear os usuários desta maneira. Para a EFF, apenas interações reais com os botões da rede social deveriam ser capturadas, e o rastreamento de histórico para fins de publicidade é uma invasão da privacidade das pessoas.

Para atender a tais interesses, provavelmente existe uma opção de desligamento, mas ela serve apenas para que o algoritmo não utilize seu hábito de navegação na web para exibir anúncios a você. Ou seja, seu histórico continuará sendo obtido e processado, mas as informações apenas não serão utilizadas para fins de propaganda.

Mudanças no horizonte

É justamente contra iniciativas como essa que a EFF vem trabalhando. A organização, ao lado de ONGs e outros grupos de defesa à privacidade, criou uma espécie de padrão para controle e utilização de dados de rastreamento, que possa ser utilizado de forma igual por aplicativos e navegadores, além de reconhecida pelos usuários.

A ideia atual é que, como cada empresa ou serviço lida com essa questão de maneira diferente e possui configurações variadas nesse sentido, encontrar um denominador comum é muito difícil. Sendo assim, a EFF deseja criar um padrão que valha para todos, e conta com a participação de algumas empresas, principalmente desenvolvedores de browsers. O objetivo é criar uma opção única anti-rastreamento, de forma que o próprio navegador seja responsável por impedir o compartilhamento de dados com sites e algoritmos de publicidade.

Na teoria, pode até parecer simples, mas na prática, a implementação é um pouco mais complicada e ainda está sendo estudada pelos envolvidos. Até lá, resta à EFF se posicionar contra abordagens como a que vai ser aplicada pelo Facebook, e esperar que os usuários e as próprias empresas as apoiem. Mesmo depois que um novo sistema de controle for implementado, não existem garantias de que ele efetivamente será cumprido.

Fontes: Facebook, Technology Review

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