Facebook começa a limitar encaminhamento de mensagens no Sri Lanka

Por Felipe Demartini | 23 de Junho de 2019 às 08h35
A Better Lemonade Stand
Tudo sobre

Facebook

Saiba tudo sobre Facebook

Ver mais

Em um esforço para combater a disseminação de fake news e discurso de ódio, o Facebook tomou, no Messenger, uma medida semelhante à já usada no WhatsApp e está limitando o encaminhamento de mensagens. A mudança se aplica, inicialmente, ao Sri Lanka, onde os usuários ficam restritos a no máximo cinco pessoas na hora de encaminhar um texto adiante.

O foco em países com tensões políticas ou conflito civil é uma prioridade para a rede social, que vem apostando em sistemas automatizados para moderação. Tais tecnologias seriam capazes de detectar mais de 96% de todo o conteúdo irregular sendo compartilhado na plataforma, com o restante aparecendo por meio de denúncias de usuários ou autoridades. O corte no compartilhamento vem, então, como uma iniciativa auxiliar para dificultar a disseminação em massa de textos mentirosos ou incitadores do ódio, além do spam.

Em Mianmar, por exemplo, a plataforma de moderação automática já é capaz de reduzir as atividades de usuários que exibam o que a empresa chamou de “padrão de desinformação”, com conteúdo que disseminam o ódio, notícias falsas ou qualquer outro tipo de publicação que vá contra os termos de uso. Assim como a limitação nos compartilhamentos, essa também é uma medida que pode ser aplicada a outros países do mundo.

O sistema de inteligência artificial do Facebook é capaz de se retroalimentar, mediante intervenção humana. Toda vez que uma imagem, vídeo, texto ou meme irregular é detectado, acaba incluído em uma base de dados que facilita a identificação posterior. Nuvens de palavras também são utilizadas para identificar o discurso de ódio, bullying e outras atividades ofensivas.

No Sri Lanka, Messenger não permitirá o compartilhamento de mensagem para mais de cinco pessoas por vez. Mudança pode chegar também a outros países (Imagem: Divulgação/Facebook)

Com isso, na rede social, 65% dos quatro milhões de conteúdos retirados do ar no ano passado por questões desse tipo foram marcados automaticamente, contra 24% em 2017. São tecnologias que, agora, devem ser aplicadas também ao Messenger, onde o desafio é diferente devido à criptografia de ponta a ponta, o fato de as mensagens serem privadas e, principalmente, a agilidade na disseminação.

O Sri Lanka passa atualmente por uma grave tensão social após atentados à bomba que mataram quase 300 pessoas no domingo de Páscoa. A minoria cristã seria o principal alvo de um grupo jihadista, que teria ligações com o Daesh, e as informações das autoridades locais dão conta que apenas alguns dos envolvidos nos ataques foram presos. A intolerância religiosa, unida à ideia de que terroristas ainda estão nas ruas, é terreno fértil para acusações, fake news e pânico generalizado, disseminado pelas redes sociais.

Por causa disso, e também citando outros países em conflito, o trabalho de controle e moderação é considerado pelo Facebook como um dos mais importantes do momento atual. Essa é a visão do diretor de produto Samidh Chakrabarti e da diretora de respostas estratégicas Rosa Birch, que também consideram este o principal desafio da rede social no momento, um em que a companhia admite que ainda precisa melhorar muito. Para ambos, entretanto, o combate direto à desinformação e discurso de ódio em países conflituosos é um grande passo para que a rede social não se torne um acessório desse tipo de cenário.

Uma tensão semelhante levou à adoção de uma medida semelhante no WhatsApp, a começar pela Índia. No país, uma grande onda de fake news levou à morte de dezenas de pessoas por linchamento, levando o mensageiro a restringir a no máximo cinco o total de usuários a quem uma mensagem pode ser compartilhada. A mudança, depois, foi aplicada a mais países e veio acompanhada de outra, que indicava aos utilizadores quando um texto foi passado adiante e o diferenciava de comunicações escritas pelo próprio contato.

Fonte: Facebook

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.