Facebook admite, mas desqualifica discrepância de gênero dentro da empresa

Por Redação | 03 de Maio de 2017 às 17h36
photo_camera Divulgação

A presença das mulheres no mercado de tecnologia ainda é envolta de inúmeras controversas, especialmente porque um pensamento machista e retrógrado ainda impera no mundo da tecnologia, assim como em boa parte de nossas sociedades. O mais novo embate do gênero (literalmente) vem de uma pesquisa feita um por ex-funcionário do Facebook, na qual ele conclui que o trabalho de engenheiras conta taxa de rejeição 35% maior em comparação com aquele desenvolvido por engenheiros dentro da companhia.

Além disso, as mulheres costumam esperar também 3,9% mais tempo do que os homens para terem seus códigos aceitos pelos superiores. Outro dado curioso, este revelado por uma fonte anônima ao jornal The Wall Street Journal, garante que as empregadas do Facebook recebem 8,2% mais questionamento sobre os seus trabalhos do que os seus colegas do sexo masculino.

A pesquisa, conduzida ao longo de cinco anos e tendo como base os registros de aprovação de códigos elaborados pelos programadores do Facebook, teria inclusive sido apresentada a Mark Zuckerberg durante evento reservado para os funcionários da companhia. Ainda segundo informações não oficiais, o executivo teria reconhecido que a questão de gênero era “uma questão” dentro de sua empresa, mas a posição oficial é de que as escolhas se tratam apenas de detalhes técnicos, não de gênero.

Análise própria

Como resposta às acusações, o Facebook resolveu fazer a sua própria análise interna. Conduzida por Jay Parikh, a análise reafirma os desafios enfrentados pela rede social na hora de colocar mulheres em posições avançadas dentro da companhia. Atualmente, apenas 33% dos empregados de Mark Zuckerberg são mulheres, e esta porcentagem cai ainda mais quando se analise as mulheres em cargos de tecnologia: apenas 17%.

Ao TechCrunch, um porta-voz do Facebook minimizou o estudo realizado pelo ex-funcionário, classificando a pesquisa como “incompleta e imprecisa”, realizada por “um engenheiro com um conjunto de dados incompletos”. A companhia reafirma novamente que “qualquer discrepância significativa baseada em dados completos é claramente atribuível não ao gênero, mas ao tempo de casa do empregado.”

“De fato, a discrepância simplesmente reafirma o desafio previamente destacado por nós — a atual representação de engenheiras sênior tanto no Facebook quanto em toda a indústria está longe do ideal”, concluiu o representante da companhia.

Fontes: The Wall Street Journal, TechCrunch

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.