Executivo do Twitter diz que empresa se arrepende de ter fechado o Vine

Por Felipe Demartini | 16 de Agosto de 2019 às 12h37
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Muita gente ainda lamenta o fim do Vine, casa de vídeos curtos que geraram memes e piadas que até hoje vemos circulando por aí. Mas, pelo jeito, os usuários não são os únicos tristes com essa situação, já que, de acordo com o diretor de produtos do Twitter, Kayvon Beykpour, a plataforma de vídeos era “fantástica” e a própria empresa se arrepende de tê-la fechado.

Em entrevista à Fortune, o executivo cita dois motivos para esse fim repentino, que acabou por retirar sua companhia da vanguarda dos serviços de vídeo. Primeiro, havia uma dificuldade em investir no Vine devido à própria situação do Twitter, que vinha derrapando em relatórios financeiros e ações na Bolsa. Segundo, a rede social não sabia exatamente como encaixar a plataforma de vídeos em seu panorama geral na época, ainda muito focado em conteúdo de texto e mensagens curtas.

Quando nasceu, em 2012, o Vine chegou a ser citado como o “Twitter do vídeo” justamente pela publicação de clipes rápidos e de curta duração. Foi essa mesma similaridade que levou a rede social do passarinho a adquirir a plataforma apenas nove meses depois de sua estreia, por um valor estimado de US$ 30 milhões. Elas permaneceram sob o mesmo guarda-chuva, ainda que funcionando de maneira um tanto separada, até 2017, quando a plataforma foi fechada.

Na mesma ocasião, o Twitter também amargava uma dificuldade em angariar novos usuários e perdas que ultrapassavam a marca dos US$ 100 milhões a cada trimestre. Levando tudo isso em conta, e as tentativas frustradas de agregar o Vine à rede social, a decisão de fechar o serviço teve que ser tomada, e Beykpour cita o clima na empresa neste momento como “extremamente triste”.

A tristeza, entretanto, estava apenas começando. Mais ou menos um ano antes do fim do Vine, estreava na Ásia o TikTok. Enxergando um vácuo no mercado ocidental, principalmente nos EUA, a ByteDance comprou o musica.ly por US$ 1 bilhão, outro serviço semelhante ao Vine, mas focado em clipes musicais, e entrou com tudo neste lado do mundo, justamente para preencher o vazio. Hoje, a plataforma é incrivelmente popular, principalmente entre um público jovem com o qual Twitter e Facebook têm dificuldade em ganhar tração, e já se aproxima da marca de um bilhão de downloads.

Beykpour não comenta sobre o rival e sua movimentação, mas parece olhar para trás com saudades do que não viveu. Ele citou o Vine como o primeiro aplicativo social a mexer nas barreiras de como os vídeos eram editados na internet, além de facilitar sua publicação, antes mesmo do Stories se tornar um lugar comum. Mais uma vez, a ideia é de que o Twitter estava sentado na janela, mas por algum motivo decidiu trocar de lugar em um avião que ainda estava decolando.

Na visão do diretor de produtos do Twitter, hoje os vídeos estão se tornando uma maneira cada vez mais popular de as pessoas conversam na internet. É justamente por isso que a rede social vem investindo cada vez mais em conteúdo multimídia, bem como nas transmissões ao vivo realizadas por meio do Periscope. Entretanto, não existe nenhum plano de voltar atrás, corrigir os erros do passado e trazer o Vine de volta. Restam as lembranças e os memes, apenas.

Fonte: Fortune

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