Estudo diz que uso excessivo das redes sociais pode estar associado à depressão

Por Redação | 27.03.2016 às 16:05

Passar muito tempo no Facebook ou no Twitter pode ser indicativo de depressão – ou, em alguns casos, pode agravar o quadro da doença em pessoas já diagnosticadas. Essa foi a conclusão de um estudo realizado pela Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, que entrevistou 1.787 jovens adultos com idades entre 19 e 32 anos.

A pesquisa sugere que pessoas dessa faixa etária que sejam “heavy users” de serviços como o Facebook ou o Twitter têm quase 3 vezes mais chance de sofrerem de depressão do que aqueles que conferem suas redes sociais com menos frequência. Além dessas duas plataformas, outras redes sociais que constaram no estudo foram o YouTube, Google Plus, Instagram, Snapchat, Reddit, Tumblr, Pinterest, Vine e até mesmo o Linkedin.

Facebook e depressão

(Reprodução: Anastasia Vasilakis/LATimes)

Os resultados mostraram que, em média, os participantes usaram as redes sociais por 61 minutos ao dia, visitando várias contas até 30 vezes por semana. Levando em consideração outros fatores como idade, gênero, etnia, status de relacionamento, situação financeira e nível de educação, os especialistas determinaram que mais de um quarto dos indivíduos observados foram classificados como tendo altos indícios de sofrerem de depressão.

No entanto, é preciso ressaltar que o estudo não acusa as redes sociais de serem a causa de transtornos depressivos. Lui Yi Lin, estudante da Universidade e participante do projeto, faz questão de dizer que “é possível que as pessoas que já estão deprimidas utilizem as redes sociais na tentativa de preencher um vazio”. E é justamente por isso que passar muito tempo nessas ferramentas pode ser indicativo da doença. Por outro lado, ela também acredita que uma exposição excessiva ao conteúdo das mídias sociais possa intensificar o quadro depressivo desses usuários.

Por exemplo, uma pessoa com tendência à depressão (ou já diagnosticada com a doença), ao observar a vida alheia pelo Facebook, pode ser tomada por sentimentos negativos como a inveja de suas vidas aparentemente mais divertidas, felizes e bem sucedidas. Outra situação que colaboraria com a depressão seria a sensação de “tempo perdido” após passar longos períodos navegando pelo feed. Isso sem falar na vulnerabilidade que a exposição virtual pode causar, aumentando o risco da pessoa sofrer algum tipo de bullying virtual ou receber comentários negativos, que certamente terão algum impacto em seu humor.

Justamente pensando na saúde mental de seus usuários, o Tumblr, por exemplo, já exibe há alguns anos uma mensagem de ajuda caso o usuário esteja pesquisando por termos considerados problemáticos, como “suicídio”, “depressão”, etc. O usuário ainda assim terá acesso aos resultados daquela busca, mas se deparará com um alerta indicando uma linha telefônica e um website que podem ajudar pessoas que estão passando por crises depressivas ou, até mesmo, considerando suicídio.

Alerta Tumblr

Já no Facebook, apesar de não haver um aviso como o do Tumblr, quando o usuário publica algum conteúdo depressivo, é possível que seus amigos anonimamente comuniquem à rede social algum post preocupante. O usuário que publicou aquele conteúdo, então, recebe uma mensagem da rede social encorajando-o a conversar com alguém que possa ajudá-lo.

De acordo com o Dr. Brian A. Primack, diretor do Pitt´s Center for Research on Media, Technology and Health, os psicólogos e psiquiatras que tratam pacientes depressivos precisam abordar a questão do uso das redes sociais em suas consultas. Para ele, “pelo fato das mídias sociais terem se tornado componente integrado da interação humana, é importante que os clínicos interajam com os jovens adultos para encorajar o uso positivo da ferramenta, bem como identificar seu uso problemático”.

Fonte: CNet