Diretor de segurança do Facebook vai deixar a empresa em agosto

Por Felipe Demartini | 20 de Março de 2018 às 11h43
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Em mais um episódio da série de más notícias que assola o Facebook nas últimas semanas, a rede social está prestes a perder seu diretor de segurança, Alex Stamos, após uma série de discordâncias internas. As informações publicadas na imprensa americana indicam um conflito de opiniões, principalmente em relação à transparência da empresa, com questões sobre, principalmente, as alterações internas na companhia e sua relação com governos e anunciantes em campanhas de desinformação.

Stamos era um dos principais envolvidos na investigação interna do Facebook em relação ao uso de sua plataforma para disseminar fake news e manipular a opinião pública durante as eleições americanas de 2016. O executivo era a favor da liberação de informações completas sobre o que aconteceu, além de ter sugerido reestruturações para evitar que uma situação desse tipo se repita, mas foi desencorajado por advogados da rede social e também times ligados às políticas de uso da plataforma.

As informações foram publicadas em caráter extraoficial pela imprensa americana e pintam um cenário ainda mais sombrio. Stamos teria o desejo de sair imediatamente, mas, diante do escândalo relacionado ao uso indevido de informações pela Cambrydge Analytica, foi persuadido a ficar até agosto para preservar a imagem da companhia. Suas atribuições, entretanto, teriam mudado drasticamente e sua equipe de trabalho, antes composta de 120 pessoas, foi dissolvida, com ele permanecendo ao lado de apenas três funcionários.

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Pelo Twitter, o executivo confirmou sua saída da empresa e também a mudança do caráter de seus trabalhos. Agora, segundo ele, sua equipe trabalha na avaliação de ameaças à segurança dos usuários e também à divulgação de informações relacionadas a campanhas políticas. Ele, entretanto, não deu detalhes sobre os motivos que levaram à sua saída.

Ainda pela rede social, Stamos fez questão de afirmar que a diretoria do Facebook jamais impediu que ele ou sua equipe realizassem seus trabalhos. Em postagem, ele fala especificamente sobre a questão da manipulação russa, afirmando jamais ter sido desencorajado ou impedido de seguir adiante com sua investigação.

Os rumores apontam, ainda, que o ex-diretor de segurança foi incentivado a realizar as postagens em prol da imagem da rede social, logo após a detonação do escândalo relacionado à Cambrydge Analytica. Seu texto, inclusive, estaria sendo revisado antes da publicação por um time interno de comunicação.

Discordância antiga

Os problemas entre Stamos e a gerência do Facebook não seriam recentes e teriam atingido um ponto insustentável apenas nos últimos meses. Ele se uniu à empresa em junho de 2015, vindo do Yahoo, e desde o início teria entrado em conflito com a diretora de operações, Sheryl Sandberg, com relação a questões de transparência e divulgação de informações ao público.

Um ano depois, ele se uniu a um grupo de engenheiros para avaliar o uso da plataforma por agentes políticos russos, antes mesmo da eleição de Donald Trump para a presidência. Ao descobrir evidências de manipulação, mais uma vez, ele teria lutado pela divulgação de informações ao público, uma ideia que não foi para a frente por influência, inclusive, do próprio Mark Zuckerberg. Em declarações públicas da época, o fundador do Facebook disse que a influência externa no marketing eleitoral era “uma ideia maluca”.

As tentativas fracassadas teriam continuado ao longo de 2017, com direito até mesmo a um longo e detalhado relatório, transformado em postagem de blog cheia de hipóteses e pouca informação real e direta. A omissão, entretanto, logo se provou um erro quando começaram a ser detonadas, na imprensa internacional, as informações sobre o uso de fake news, contas falsas e anúncios direcionados por agentes ligados ao governo da Rússia como forma de favorecer Donald Trump na disputa pela Casa Branca.

A gota d’água teria vindo em dezembro do ano passado, quando Stamos pediu mais autonomia em sua investigação e acesso direto à gerência da companhia. Em vez disso, ele teria visto seu time ser reduzido significativamente, com os executivos de alto escalão o transformando em uma espécie de porta-voz de segurança da rede social. Daí a ideia de deixar a empresa imediatamente, algo que, se aprovado, aconteceria no pior momento possível.

Até o momento, o Facebook não se pronunciou publicamente sobre a demissão de Stamos. A empresa enfrenta, atualmente, o escândalo relacionado ao uso indevido de informações de mais de 50 milhões de usuários, justamente durante a manipulação para eleição de Donald Trump em 2016. O caso foi revelado no final de semana por um delator.

Fonte: The New York Times, Reuters

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