De porta em porta: como o Pinterest chegou aos 100 milhões de usuários

Por Rafael Romer | 23.09.2015 às 09:21

Na última quinta-feira (17) o Pinterest comemorou a marca de 100 milhões de usuários ativos mensais globalmente, uma etapa importante para a espécie de "rede social" de bookmarking de imagens que foi criada há pouco mais de cincos anos em um apartamento em São Francisco.

Desde então, o site tem se firmado como uma comunidade forte de usuários e bloggers que postam, "pinam" e catalogam todo tipo de conteúdo de imagens e vídeos de interesses diversos e que vão desde receitas à decoração de interiores, passando por arquitetura ou tutoriais para artesanato.

Mas o que talvez seja mais interessante na trajetória do site foi a forma com que o Pinterest criou sua base de usuários ao decorrer dos anos. Desde o princípio, o cofundador e CEO Ben Silbermann apostou na conquista quase individual de novos participantes para a plataforma, que foi inaugurada em uma fase beta na qual só convidados podiam se cadastrar. Reza a lenda que Silbermann compartilhou inclusive o próprio número do celular com os 5 mil primeiros usuários do Pinterest e se encontrou pessoalmente com alguns para ouvir feedbacks sobre o recém-lançado serviço.

Mesmo agora que atingiu a casa da centena de milhões de perfis, o site tenta manter a mesma cara de uma experiência "individual" para ampliar o número de usuários. Na tarde desta terça-feira (22), a gerente de comunidade do Pinterest Enid Hwang esteve em São Paulo pela primeira vez para um bate-papo com alguns usuários selecionados e influentes no serviço no Brasil para continuar a tradição de conversar com o público sobre o estado atual da plataforma e ouvir feedbacks sobre atualizações e mudanças no site.

Hwang foi uma das primeiras funcionárias a entrar no Pinterest, ainda durante o período gestação da página, e hoje é reconhecida como uma das principais embaixadoras do serviço no mundo, com centenas de fãs fiéis que seguem os itens catalogados por ela. Neste momento de expansão internacional do Pinterest, Hwang tem viajado para cima e para baixo sempre que um novo escritório é aberto em outro país fora dos Estados Unidos, apresentando a plataforma, realizando encontros e workshops com fãs, influenciadores e marcas para ajudar a movimentar a comunidade de "pinners".

"Nós vamos continuar essa estratégia por um tempo, principalmente internacionalmente. As pessoas só estão começando a conhecer o Pinterest, então tem muito a mostrar, da mesma forma que fizemos há cinco anos nos Estados Unidos", afirmou Enid ao Canaltech, que está no país pela primeira vez e fará também encontros no Rio de Janeiro, além de participar de um evento junto às agências antes de retornar para São Francisco.

Hoje o Pinterest tem escritórios em cinco países fora dos Estados Unidos, considerados os mais importantes para a plataforma: Reino Unido, França, Alemanha, Japão e Brasil - onde o site desembarcou em fevereiro deste ano. A empresa não revela dados locais sobre sua base de usuários, mas afirma que 45% dos seus usuários globais estão fora dos Estados Unidos.

Hwang, no entanto, afirma que o Brasil está entre um dos mercados de crescimento mais rápido para a plataforma e só neste ano ampliou em três vezes o número de pinners por aqui. O Brasil também conta com uma country manager própria, dedicada a se encontrar com a comunidade para workshops e conversas, além de estimular o ecossistema local para angariar marcas no Pinterest e promover festas "offline" entre pinners.

Essa expansão é importante para o Pinterest, que agora começa a olhar com mais atenção para a monetização de sua plataforma. O site possuiu atualmente um crescimento médio anual de 75% no número de publicações e já tem mais de 50 bilhões de "pins" registrados.

O site já mantém há algum tempo, nos Estados Unidos, um sistema de posts patrocinados de marcas e, em junho deste ano, entrou de cabeça na onda do e-commerce com a introdução do botão "Buy it" ao lado de publicações. Através de uma parceria com vendedores, hoje os usuários podem comprar alguns produtos "pinados" no site sem sair dele.

Por enquanto, só usuários norte-americanos têm acesso à monetização do site, mas a expansão deve acontecer em breve para outras regiões - de acordo com Hwang, é preciso expandir essas funções aos poucos para não "assustar" usuários da plataforma com conteúdos publicitários invasivos. Ainda não há data específica para a chegada de conteúdo monetizado em outros países, mas sabemos que o Reino Unido deverá ser o próximo na lista.

O Brasil, no entanto, pode não estar tão distante da novidade: questionada pelo Canaltech, a executiva afirmou que também está no país para conversar com marcas na tentativa de ampliar o ecossistema por aqui e apresentar os sistemas de monetização do site.

"Nós temos um conteúdo imenso e dois terços dele são de marcas e empresas", explicou. "O Pinterest é um lugar no qual as pessoas procuram conteúdo de nível e qualidade profissional, não é uma plataforma para conteúdo como uma foto feita no celular de uma festa que você foi. É o lugar onde você procura referências profissionais para fazer uma festa. Então estamos ensinando marcas e produtores de conteúdo que essa é uma plataforma para eles".

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Enid Hwang durante o encontro com Pinners em São Paulo (foto: Rafael Romer/Canaltech)