Crimes de racismo cometidos nas redes sociais começam a dar cadeia no Brasil

Por Redação | 18 de Março de 2016 às 12h20
photo_camera Divulgação

No final do ano passado, a atriz Taís Araújo foi mais uma vítima de comentários racistas na internet. As ofensas surgiram depois que a artista postou uma foto em sua página oficial no Facebook. Na mesma semana, Taís disse que levaria o caso até as autoridades, e o resultado vem agora: cinco suspeitos foram detidos - quatro com mandados e mais um, este menor de idade, em flagrante.

A operação foi liderada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro com apoio da Secretaria Nacional de Segurança Pública, e ainda contou com participação das equipes da Polícia Civil dos estados de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Minas Gerais. A ação deflagrada nesta quarta-feira (16) também incluiu 11 mandados de busca e apreensão. Foram presos homens em Santa Catarina, São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul.

No Rio Grande do Sul, os mandados de busca e apreensão foram executados em Porto Alegre e Cachoeira do Sul, na Região Central. Na capital, um suspeito de praticar os crimes foi levado à delegacia para prestar depoimento e acabou preso por posse de material pornográfico ilegal e por ter um aceso de vídeos com imagens de pedofilia. Com ele, foi apreendido um computador. No fim da manhã, os agentes fizeram mais uma prisão em Navegantes, Santa Catarina.

Na manhã do dia 16 de março, um homem já tinha sido preso na cidade de Brumado, na Bahia. Segundo o delegado Leonardo Rabelo, coordenador da Coordenadoria de Polícia do Interior (Coorpin) na cidade baiana, o acusado é "integrante de uma organização criminosa que, pela internet, fez vários ataques racistas a atrizes, jornalistas e apresentadoras", entre elas Taís Araújo, Sheron Menezes, Cris Vianna e Maria Júlia Coutinho.

Em São Paulo, um dos suspeitos de liderar o grupo que cometeu ataques racistas e que tem menos de 18 anos foi apreendido em Jandira. Ele foi encaminhado para a Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC). No mesmo dia, um homem de 30 anos foi preso em Sertãozinho (SP) por ser administrador de um grupo no Facebook que postou mensagens de conteúdo racista na página da atriz.

Um dos alvos de prisão no Paraná é de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O suspeito já está preso desde dezembro de 2015 pelo crime de pedofilia e também será investigado por essa prática criminosa.

Taís Araújo

Taís Araújo foi alvo de comentários racistas em sua página no Facebook em novembro de 2015. (Foto: Reprodução/Facebook)

"É o mesmo grupo [que ofendeu Taís, Sheron e Majú]. A intenção era chamar atenção. Escolhiam pessoas públicas, com notoriedade, e seus integrantes se mobilizavam. Havia um código de conduta, se eles não participassem (das ofensas) eram punidos", disse o delegado Alessandro Thiers, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática do Rio que coordena a investigação do caso.

Thiers reforçou que "tudo que acontece na internet deixa rastro" e que é importante que as pessoas registrem os casos na delegacia, pois "em pleno século 21, nada justifica a atitude" do grupo. Segundo o investigador, mais pessoas ainda podem ser presas porque o caso não foi totalmente encerrado.

Sem querer gravar entrevista, Taís Araújo se mostrou satisfeita com o andar das investigações. "Fico feliz que a Justiça tenha sido feita. Espero que crimes desse tipo, contra qualquer mulher negra, não fiquem impunes", comentou a atriz em nota.

Fontes: G1, Folha de São Paulo

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