Criadora do botão "curtir" diz que likes são prejudiciais

Por Redação | 10 de Julho de 2017 às 17h13
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O botão "curtir" das redes sociais acabou se tornando termômetro de popularidade. Hoje em dia há, inclusive, pessoas que acabam adoecendo psiquicamente por conta disso. Diante deste cenário, dá para perceber facilmente que os likes invadiram a vida de todos, mudando o comportamento da sociedade, que busca cada vez mais visualizações nas plataformas da internet.

O nome por trás do botão "curtir" é Leah Pearlman, ex-funcionária do Facebook de Denver, nos Estados Unidos. Pearlman começou a trabalhar para Mark Zuckerberg em 2006, quando a companhia tinha apenas cerca de 100 colaboradores. Na época, Leah Pearlman queria resolver algumas questões, como deixar a rede social esteticamente aceitável e facilitar as postagens.

No início, houve dificuldade para encontrar o nome e o símbolo certo para o recurso, mas a ideia da ex-colaboradora acabou sendo aceita. "Os designers ficavam frustrados e saíam do projeto, aí tínhamos que arrumar uma nova equipe. No final, fizemos um design e o Mark finalmente disse 'Vai ser like com uma mão fazendo um joia, façam e vamos colocar logo no site'. Então ele tomou a decisão final", contou à Vice.

De acordo com Pearlman, o sucesso do "curtir" foi imediato, fazendo com que as interações no Facebook aumentassem rapidamente. "As estatísticas começaram a subir rápido — todas as estatísticas que achávamos que isso afetaria, 50 comentários se tornaram 150 likes quase imediatamente. As pessoas começaram a fazer mais atualizações de status, então tinha muito mais conteúdo e a coisa simplesmente funcionou."

Apesar da ideia ter revolucionado as interações na internet, Pearlman explicou que até mesmo ela acabou ficando "viciada" em likes. Segundo ela, há cerca de 2 ou 3 anos acabou percebendo que quando postava algo e não ganhava likes o bastante, parecia que não "estava recebendo oxigênio suficiente". Apesar do efeito negativo, a ex-colaboradora do Facebook não se sente culpada pela repercussão. Ainda assim, Pearlman acaba pensando que tem uma parcela de responsabilidade. "Sabe aquele episódio de Black Mirror onde todo mundo é obcecado com likes? Quando assisti fiquei com medo de me tornar aquelas pessoas, além de pensar que criei aquele ambiente para todo mundo."

Quando questionada sobre como as pessoas podem lidar de forma mais saudável com os likes, Leah Pearlman disse acreditar que o sistema irá mudar. "Suspeito que algo mais interessante vai surgir uma hora e esse tipo de internet vai mudar, espero. A experiência de validação externa comparada com validação interna verdadeira nem se compara. Sabe, ficar real e profundamente satisfeita comigo mesma quando faço algo de que fico incrivelmente orgulhosa — um like no Facebook não se compara a isso", finalizou.

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Fonte: Vice