Compra do LinkedIn pela Microsoft marca maturidade das redes sociais

Por Redação | 20.06.2016 às 15:52

Na última semana, o mundo da tecnologia foi surpreendido com a notícia de que a Microsoft estava comprando o LinkedIn por US$ 26,2 milhões. A notícia, que já chamaria a atenção por si só, veio acompanhada de questionamentos – afinal de contas, o que está por trás desse movimento e o que a casa do Windows busca atingir com a negociação? A resposta, para o empreendedor Aj Agrawal, está mais na maturidade do mercado de redes sociais, e menos no negócio em si.

Para o especialista, em um artigo opinativo do site da revista Forbes, trata-se de um movimento que coloca o LinkedIn entre os “grandes”, dando não apenas mais relevância para seus próprios serviços como também agregando aos da Microsoft. E, mais do que isso, pode permitir que a plataforma opere como uma rede social “de verdade”, fazendo aquilo que a tornou relevante sem se preocupar com fatores como monetização e agrados aos acionistas e investidores.

Para Agrawal, a necessidade de ganhar dinheiro acaba sendo o grande gargalo para impedir o crescimento de muitas propostas desse tipo. A grande pergunta dos usuários é: por que eu precisaria pagar por algo que eu já tenho de graça? E para as empresas, a grande dificuldade é mostrar que algo merece ser adquirido a partir de uma nova funcionalidade dentro de um sistema gratuito como um todo. É a “função da função”, como ele afirma, e uma noção que nem sempre funciona junto à base de usuários justamente por nem sempre trazer o valor equivalente ao dinheiro que é pedido em troca dela.

Por enquanto, não se sabe exatamente o que a Microsoft vai fazer com o LinkedIn, mas a principal ideia é que a rede social será integrada de vez às propostas da companhia para o mercado corporativo. E com a aquisição, a rede social pode se focar de vez naquilo que é seu principal aspecto, o compartilhamento e a criação de uma network, e não com aspectos de monetização que poderiam entrar no meio disso tudo.

Linkedin

Além disso, para o especialista, a aquisição é uma boa notícia para o Twitter, que viu suas ações subirem de forma inesperada em decorrência da compra do LinkedIn. Com as conversas de sua própria venda meio adormecidas, o movimento da Microsoft mostrou para o mercado que a rede social do passarinho pode acabar sendo interessante para companhias, e, quem sabe, no futuro, vejamos uma transação semelhante acontecendo com ela.

Na visão de Agrawal, o Facebook é grande demais para ser adquirido, e seu tamanho também tornaria uma venda bem pouco atrativa para seus acionistas. Isso, entretanto, não vai impedir essa mudança citada no mercado de redes sociais, uma vez que, para o empreendedor, o serviço de Mark Zuckerberg é também um dos poucos, senão o único, a conseguir se manter de pé por meios próprios. Para o restante, sobram negociações desse tipo.

Esse cenário acaba transformando as redes sociais em plataformas que podem ser interessantes para as empresas. Ao mesmo tempo em que traça um panorama sombrio – o de que as redes sociais, por mais que tenham usuários, não conseguem encontrar seu lugar no mundo enquanto marca –, ele aponta para um futuro que pode contar com cada vez mais aquisições de companhias do tipo. A compra do LinkedIn pela Microsoft seria apenas o primeiro passo de um movimento que, acredita ele, veremos acontecendo cada vez mais.

Apesar de não ter falado em detalhes sobre seu intuito com a compra do LinkedIn, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou que sua ideia é expandir ainda mais a atuação da empresa no mercado corporativo. O foco empresarial tem sido um dos principais da companhia desde que ele foi nomeado, há dois anos, principalmente como maneira de contornar as vendas em queda nos mercados de PC e softwares, além das dificuldades do Windows Phone em emplacar junto aos consumidores.

Fonte: Forbes