Como o Facebook sugere amigos que você conhece offline?

Por Redação | 08 de Novembro de 2017 às 11h17
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Quem nunca viu o Facebook sugerindo, como uma possível amizade, aquela pessoa que a gente até conhece na vida real, mas com quem não possuímos nenhum tipo de relação online ou conexão no círculo de amizades? As histórias desse tipo são comuns, e sempre assustadoras, dando uma amostra do que o algoritmo da rede social efetivamente é capaz de fazer em prol do engajamento e do que chama de melhoria na comunicação entre as pessoas.

Os responsáveis por isso são os “perfis ocultos”, ou “shadow profiles”, como foram chamados em uma reportagem do site Gizmodo, que revelou um pouco como tudo isso funciona. Ao contrário do que muita gente pensa, o Facebook não armazena apenas os rastros que deixamos durante o uso da rede social – outros dados, como os de nosso celular, também são coletados pela companhia, mesmo quando seu app não está sendo executado, e fornecem mais insights sobre o que, exatamente, ela sabe sobre nós.

Por exemplo, na primeira vez que o software mobile é executado, ou sempre que o usuário usa a função “localizar amigos” sem sucesso, o Facebook oferece a opção de sincronizar a agenda de contatos com a rede social, de forma que pessoas efetivamente conhecidas sejam localizadas. Só aí, com o argumento de ajudar as pessoas a encontrarem conhecidos, a plataforma já pode ter acesso a nomes, apelidos, números de telefone, endereços de e-mail, empregadores e todo tipo de interação que tenha acontecido por meio do celular.

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Isso acaba unido a outros dados como informações de check-in (muitas vezes um requisito essencial para acesso a redes de internet públicas), assuntos comentados em publicações ou até mesmo interações em outros aplicativos ligados ao Facebook, como o Messenger ou o WhatsApp. O resultado é uma grande nuvem de dados que mostra, da melhor maneira possível, quem você é e, principalmente, quais são as pessoas que conhece e interage no dia a dia.

Tenha certeza: o Facebook sabe mais sobre você do que imagina

Foi assim, por exemplo, que um advogado de defesa dos Estados Unidos acabou deletando o Facebook depois de perceber que estava aparecendo como sugestão de amizade para muitos de seus clientes, com quem ele havia apenas trocado e-mails profissionais. O mesmo aconteceu com um homem que doou seu esperma para um casal de conhecidos, com quem mantém contatos esporádicos apenas no mundo real. Isso não impediu que os dois, bem como o filho, fossem indicados pela rede social como possíveis contatos.

Ao falar sobre o caso, o Facebook desvia da noção de que seu banco de dados funciona de maneira oculta. Para a empresa, muitas vezes as relações feitas pela plataforma são fáceis de se explicar, seja por amigos em comum, pessoas que estão em um mesmo grupo de interesse, residem em uma mesma cidade ou compartilhem um município natal. Em outros casos, como no do doador de esperma, por exemplo, a companhia admite que mais dados podem estar sendo usados nesse tipo de ligação.

Tudo, porém, é feito de maneira autorizada. O Facebook rejeita a noção geral de que está sempre de olho nas atividades das pessoas no smartphone e afirma que todos os dados recebidos e utilizados em seus algoritmos estão lá após a autorização expressa dos usuários, por meio de confirmações exibidas na tela, que acompanham os devidos avisos sobre os cuidados sobre privacidade e confidencialidade.

Um dos principais problemas desse tipo de tecnologia, entretanto, é o fato de que muitas vezes os próprios usuários não possuem controle sobre isso, pois as informações sobre si estão sendo compartilhadas por terceiros. É o caso do contato profissional que tem seu e-mail corporativo na agenda, aquele fornecedor que anotou seu endereço para realizar uma entrega ou a contraparte daquele encontro meio bizarro e que não deu em nada, mas que manteve seu número gravado. Todos dados entregues ao Facebook sem que o indivíduo, em si, possa fazer nada em relação a isso.

Quando perguntada, a empresa disse não poder revelar aos usuários a extensão de seus “perfis ocultos” pelo fato de que, ao fazer isso, estaria invadindo a privacidade de terceiros. Por outro lado, deixou claro à reportagem que leva esse conceito em conta na hora de usar os dados armazenados em seus servidores, tentando sempre encontrar um equilíbrio entre engajamento e discrição.

Além disso, a companhia pede bom senso aos usuários na hora de realizar pedidos de amizade ou abordagens, fazendo isso somente de maneira apropriada. É aqui, entretanto, que está o maior gargalo, como todos sabemos, e o efeito potencialmente mais nocivo de toda a entrega de informações que realizamos diariamente para os serviços online.

Fonte: Gizmodo

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