Comitê levanta mais de 3,3 mil post pagos por russos sobre as eleições dos EUA

Por Wagner Wakka | 10 de Maio de 2018 às 17h45
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Um comitê democrata de inteligência dos Estados Unidos revelaram um documento com mais de 3.500 propagandas encabeçadas pelo Internet Research Agency (IRA) da Rússia. O comitê lista as campanhas que foram veiculadas pelo Facebook entre os anos de 2015, 2016 e 2017.

O conselho indiciou 13 russos e outras três instituições do mesmo país, no último dia 16, por interferência política no processo eleitoral dos Estados Unidos, o que inclui as eleições de 2016, que elevaram Donald Trump à presidência.

O conselheiro especial Robert S. Mueller II considera que a IRA é uma “fazenda de trolls” e operava da seguinte forma: “Os réus, posando como pessoas dos EUA e criando perfis falsos dos EUA, operavam páginas e grupos de mídia social projetados para atrair o público dos EUA. Esses grupos e páginas, que abordavam questões políticas e sociais divisivas dos EUA, falsamente alegavam ser controlados por ativistas norte-americanos quando, na verdade, eram controlados pelos réus. Os réus também usaram as identidades roubadas de pessoas reais dos EUA para postar em contas de mídia social controladas pela organização. Com o tempo, essas contas de mídia social se tornaram meios para os réus alcançarem um número significativo de americanos com o objetivo de interferir no sistema político dos EUA, incluindo a eleição presidencial de 2016”, descreve o conselheiro.

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Com isso, o comitê analisou dados de publicidade do Facebook e descobriu que o Ira contratou 3.393 anúncios pagos, sendo que mais de 11,4 milhões de americanos foram expostos a estas peças na rede social. Os dados ainda mostram foram criadas 470 páginas pelo IRA, com mais 80 mil post orgânicos; ou seja, sem investimento, criados por estas páginas. Este conteúdo orgânico chegou a mais de 126 milhões de usuários americanos. Ao todo, foram pouco mais de 170 milhões de votantes nas eleições de 2016 nos Estados Unidos.

“O IRA tinha um objetivo estratégico de semear discórdia no sistema político dos EUA, incluindo a eleição presidencial dos EUA em 2016. Os réus divulgaram informações depreciativas sobre vários candidatos, e, até meados de 2016, as operações dos réus incluíam apoiar a campanha presidencial do então candidato Donald J. Trump depreciar Hillary Clinton. Os réus fizeram várias dívidas para realizar essas atividades, incluindo a compra de anúncios políticos nas mídias sociais em nome de pessoas e entidades dos EUA. [...] Alguns réus, posando como norte-americanos e sem revelar sua associação russa, se comunicaram com indivíduos involuntários associados à Campanha Trump e com outros ativistas políticos para coordenar as atividades políticas", aponta Mueller.

Em janeiro de 2017, o órgão de inteligência (ICA, da sigla em inglês) apontou interferência russa nas eleições dos Estados Unidos, citando o presidente da Rússia no processo. “Vladimir Putin ordenou uma campanha de influência em 2016, visando a eleição presidencial dos EUA. As metas da Rússia eram minar a fé pública no processo democrático dos EUA, denegrir a secretária Clinton e prejudicar sua elegibilidade e potencial presidência. Putin e o governo russo desenvolveram uma clara preferência pelo presidente eleito Trump", acusa o ICA.

Esforços do Facebook

Para tentar evitar a interferência externa em eleições, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou durante depoimento no Congresso norte-americano que a rede social passaria a ter uma ferramenta informando ao público quem está bancando a publicidade na plataforma e quais outras campanhas estão sendo criadas pela mesma conta.

A ferramenta já está em testes no Canadá e Irlanda. Neste segundo país, contudo, analistas já mostram que há falhas. A Irlanda passa por um processo de referendo sobre uma lei que criminaliza o aborto no país, ainda neste mês. Uma iniciativa para a transparência do processo (TRI, na sigla em inglês) montou um grupo de voluntários e criou uma tabela com o nome de todas as empresas e pessoas que estão bancando os espaços publicitários no Facebook relacionados à votação. Eles descobriram que entidades contra o aborto dos Estados Unidos e Canadá estavam bancando ações na rede da Irlanda.

Fonte: CID

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