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Candidatos democratas à Presidência dos EUA defendem rompimento do Facebook

Por Thaís Augusto | 14 de Maio de 2019 às 17h35
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Desde que o co-fundador do Facebook, Chris Hughes, publicou um editorial defendendo o desmembramento da empresa para "criar mais concorrência nos mercados de mídia social", o discurso vem ganhando apoio de candidatos democratas à Presidência dos Estados Unidos.

Uma das vozes mais "potentes" a concordar com Hughes foi a da senadora e candidata à presidência Elizabeth Warren, que, antes mesmo do editorial, havia prometido romper o monopólio de Facebook, Amazon e Google caso eleita presidente em 2020. Na última quinta-feira (9), Elizabeth aproveitou a repercussão da fala de Hughes e reiterou que as grandes empresas de tecnologia "destruíram a concorrência, usaram nossas informações privadas para lucrar, prejudicaram as pequenas empresas e sufocaram a inovação".

Nesta segunda-feira (13), foi a vez da senadora Kamala Harris dizer que "temos que considerar seriamente" romper o Facebook – o editorial de Hughes também defendia a intervenção de órgãos reguladores dos Estados Unidos para reverter a aquisição de WhatsApp e Instagram.

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Mark Zuckerberg e Chris Hughes na Universidade de Harvard em 2004. (Foto: Rick Friedman / The New York Times)

Se depender dos políticos, o assunto não vai morrer assim tão cedo. Hoje, o ex-vice presidente dos Estados Unidos no governo Barack Obama, Joe Biden, disse que o rompimento de grandes empresas de tecnologia é "algo que devemos olhar com seriedade".

Enquanto isso, o Facebook vem dizendo que desmembrar a empresa não é a solução. Em um editorial publicado pelo The New York Times dois dias depois de Hughes, o diretor de comunicações e políticas do Facebook, Nick Clegg, argumentou que a empresa tem uma concorrência significativa e que uma divisão só pioraria os problemas em torno da liberdade de expressão e proteção de dados.

"Ser grande não é ruim. O sucesso não deve ser penalizado. Nosso sucesso deu a bilhões de pessoas em todo o mundo acesso a novas formas de comunicação entre si. Ganhar dinheiro com anúncios significa que podemos fornecer essas ferramentas para as pessoas gratuitamente. O Facebook não deve ser rompido — mas precisa ser responsabilizado [por seus erros]. Qualquer pessoa preocupada com os desafios que enfrentamos em um mundo online deve procurar acertar as regras da internet e não desmantelar as empresas americanas de sucesso", escreveu Clegg.

O CEO do Facebook Mark Zuckerberg deu declarações semelhantes em uma entrevista a repórteres na França, onde viajou para se reunir com o presidente Emmanuel Macron. "Quando li o que ele escreveu, minha principal reação foi 'O que ele está propondo não vai fazer nada para ajudar a resolver esses problemas'. Acho que se você se preocupa com democracia e eleições, então quer uma empresa como o Facebook, capaz de investir bilhões de dólares por ano e construir ferramentas realmente avançadas para combater a interferência eleitoral".

(Foto: Pablo Martinez Monsivais / AP)

Em outras palavras, o Facebook defende que apenas uma empresa do seu tamanho pode arcar com os problemas causados ​​por uma plataforma como o Facebook. A empresa também gosta de uma abordagem encontrada pela França: durante seis meses, reguladores do país trabalharam dentro do Facebook "monitorando suas políticas". No final, o governo divulgou um relatório de 33 páginas com sugestões de como a regulamentação ao Facebook deveria funcionar.

O documento, aprovado por Zuckerberg, recomenda que "as autoridades francesas tenham mais acesso aos algoritmos do Facebook e maior escopo para auditar as políticas internas da empresa contra o discurso do ódio", relatam Mathieu Rosemain e Gwénaëlle Barzic, que assinam o relatório.

"Se mais países puderem seguir o exemplo da França, isso provavelmente trará um resultado mais positivo para o mundo do que algumas das alternativas", cutucou Zuckerberg em entrevista no escritório do Facebook em Paris.

Para a France 2 Television, o CEO disse que novas regras para a internet são necessários para especificar quais as responsabilidades de empresas e governos. "É por isso que queremos trabalhar com a equipe do presidente Macron. Precisamos de um processo público".

Fonte: The Verge

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