Campanha online denuncia abusos contra empregadas domésticas

Por Redação | 22 de Julho de 2016 às 11h48

Um preconceito oculto, que normalmente acontece dentro das casas e por trás dos muros dos prédios de alto padrão, está sendo escancarado na internet. Por meio da página “Eu, Empregada Doméstica”, a professora de história Joyce Fernandes vem coletando relatos, declarações e histórias sobre os abusos de patrões contra as funcionárias. Já são mais de 60 mil curtidas e centenas de relatos enviados.

A ideia partiu de uma experiência própria. Ela, que mora em Santos, no litoral de São Paulo, e além de educar, também é professora de rap, estava fazendo terapia e decidiu trazer à público uma experiência que passou durante o tempo em que trabalhou na profissão. Usando a hashtag #EuEmpregadaDoméstica, ela criou a postagem abaixo, que foi compartilhada por centenas de pessoas e teve uma quantidade esmagadora de comentários.

Eu Empregada Doméstica

Foram tantas notificações que o celular de Fernandes chegou a travar, e daí veio a ideia de criar a página para permitir que mais pessoas possam compartilhar suas histórias. O resultado é uma sequência de preconceito, abusos e tratamento desumano, como o relato de uma senhora de 76 anos que teve de subir de escada até o apartamento em que trabalhava, em um prédio de luxo. Sua condição de empregada doméstica impedia que ela utilizasse o elevador social, e o de serviço estava estragado.

Para ela, a profissão é um resquício da escravidão e deveria ser extinta no país. Enquanto isso não acontece, porém, seu movimento caminha na direção de um tratamento mais humano e igualitário para as empregadas domésticas contra noções como a clássica frase que diz que as funcionárias “são como se fossem da família”. Fernandes afirma que essa não é a intenção de ninguém, mas sim conseguir mais respeito e justiça.

Outras iniciativas do tipo já existiam na internet, mas o "Eu, Empregada Doméstica" chama a atenção pela tração que ganhou em tão pouco tempo. No Twitter, o perfil @aminhaempregada faz um trabalho semelhante, retuitando mensagens que criticam domésticas. O tratamento dado às funcionárias também foi assunto do filme “Que Horas Ela Volta?”, de 2015, com Regina Casé, que chegou a ser pré-candidato a representante brasileiro no Oscar.

Fonte: G1

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