Apple nega ter recebido dados do Facebook

Por Felipe Demartini | 05 de Junho de 2018 às 12h50
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O CEO da Apple, Tim Cook, negou veementemente as afirmações de que a empresa teria recebido dados pessoais de usuários do Facebook como parte de uma parceria entre a empresa e a rede social. Em entrevista à estação de rádio NPR, ele refutou as afirmações do New York Times e disse que elas simplesmente não são parte do funcionamento usual da companhia.

Os relatos publicados na imprensa americana neste início de semana afirmam que o Facebook firmou parcerias com, pelo menos, 60 fabricantes de smartphones. A ideia era que eles oferecessem experiências similares à da rede social, como curtidas ou conversas, além de integração com os serviços da plataforma, sem que fosse necessário o download de um aplicativo específico para isso.

O problema é que, juntamente com informações de perfil e contatos, as empresas passaram a ter acessado a dados pessoais como orientação política e escolhas religiosas, não apenas dos usuários em si, mas também dos amigos adicionados, e telemetrias obtidas a partir de postagens, curtidas e outras interações realizadas na plataforma.

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Comentando o assunto, Cook até confirmou que a Apple possui uma parceria com o Facebook, mas negou o acesso a dados dos usuários. De acordo com o presidente executivo da Maçã, essa união está relacionada à integração entre o iOS e a rede social, de forma que os utilizadores possam, por exemplo, compartilhar conteúdo entre aplicativos de maneira mais ágil, a partir dos menus e telas do sistema móvel.

Continuando, o executivo afirmou que o negócio da Apple não envolve dados de usuários e que a empresa não tem interesse em obter informações de seus utilizadores. A ideia, reforçou ele, era apenas trazer mais conveniência aos donos de aparelhos com o iOS, de forma que o compartilhamento de uma foto tirada com a câmera, por exemplo, se tornasse mais fácil e dinâmico.

O próprio Facebook também refutou as acusações feitas pelo New York Times, afirmando que as informações pessoais dos usuários só ficavam disponíveis nos smartphones caso o próprio utilizador permitisse isso. A companhia nega que tenha compartilhado dados de seu banco de dados com fabricantes, alegando que a intenção de tais parcerias é apenas garantir que a rede social funcione em qualquer equipamento, independente do sistema operacional, versão ou outros recursos.

A rede social lembrou, ainda, que disponibiliza APIs não apenas para fabricantes de smartphones, mas também aos desenvolvedores de softwares, cuja utilização e recursos disponíveis são monitorados de perto, de forma a não constituírem brechas na privacidade dos usuários. Uma das garantias, por exemplo, é que nenhum recurso pode ser usado, nem nenhum dado acessado, sem a expressa autorização do utilizador.

Se confirmadas as informações publicadas pelo New York Times, o Facebook estaria envolvido não apenas em mais um escândalo de privacidade, mas também em uma violação de leis federais americanas. O compartilhamento não-autorizado de informações pessoais com terceiros é uma violação de um decreto da Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) assinado em 2011. O governo dos EUA, porém, ainda não confirmou se está de olho no caso.

Esta também não é a primeira vez que Cook joga o Facebook aos leões quando o assunto é privacidade. Em março, no auge do escândalo do mau uso de dados pela Cambridge Analytica, o CEO da Apple disse que jamais estaria na posição de Mark Zuckerberg, diretor da rede social, quando perguntado o que faria no lugar dele. Na ocasião, o executivo de Cupertino afirmou que os produtos da Maçã são seus computadores, smartphones e tablets, e não os dados de seus clientes.

Fonte: NPR

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