Após sumiço, Zuckerberg finalmente vai se pronunciar sobre escândalo do Facebook

Por Felipe Demartini | 21 de Março de 2018 às 10h17
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Mark Zuckerberg está em um silêncio que se torna cada vez mais incômodo, na medida em que surgem mais detalhes e repercussões do uso indevido de dados de mais de 50 milhões de usuários do Facebook em campanhas políticas. O fundador da rede social não se pronunciou sobre o assunto desde que ele surgiu, no último final de semana, mas os rumores são de que ele está preparando um comunicado voltado para “recuperar a confiança das pessoas na empresa”.

De acordo com rumores publicados nesta quarta-feira (21) na imprensa americana, Zuckerberg deve falar em breve, não apenas de forma a esclarecer a situação para o público, mas também para acabar com um clima de estranheza dentro da própria empresa. Desde sábado (17), quando as informações sobre a atuação da Cambrydge Analytica começaram a sair, ele não fala nas redes sociais nem é visto nos corredores do Facebook.

O fundador da plataforma nem mesmo participou de uma reunião interna, que aconteceu nesta terça (20), na qual os funcionários podiam fazer perguntas e receberam esclarecimento sobre o que aconteceu e algumas das atitudes a serem tomadas dali em diante. A diretora de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, também estava ausente, com o encontro sendo capitaneado pelo vice-presidente da companhia, Andrew Bosworth, e pelo diretor de segurança, Alex Stamos - os dois únicos executivos, também, a falarem publicamente sobre o assunto.

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Em comunicado, o Facebook negou o caráter emergencial do encontro, como vinha sendo ventilado pela empresa, e disse que reuniões desse tipo entre funcionários e diretores são comuns. Elas acontecem, afirma a empresa, de uma a duas vezes por semana como forma de discutir tópicos de interesse e alinhar a equipe sobre anúncios e mudanças que estão a caminho. De acordo com relatos de colaboradores, entretanto, tais momentos acontecem, normalmente, às sextas, com a mudança de data pegando todo mundo de surpresa.

Segundo os boatos, a demora para uma declaração de Zuckerberg tem a ver com a resolução do problema. Em vez de abordar o assunto assim que ele foi publicado, o fundador do Facebook quis  aguardar por mais informações e consertar eventuais falhas no sistema antes de vir à público, de forma a garantir mais tranquilidade para usuários (e acionistas, principalmente), além de passar uma mensagem com “significado”.

O escândalo da atuação da Cambrydge Analytica envolve o uso, sem autorização, de dados de mais de 50 milhões de usuários do Facebook em campanhas políticas como as que levaram Donald Trump à presidência dos EUA ou à saída do Reino Unido da União Europeia. As informações não teriam sido roubadas, mas sim obtidas a partir de um quiz de personalidade que exigia login pela plataforma — devido a uma brecha nos sistemas de privacidade do Facebook, quando um usuário consentia com isso, as informações de seus amigos também eram compartilhadas.

Caso o pronunciamento de Zuckerberg siga a lógica dos anteriores, as palavras virão por meio de post no próprio perfil do fundador em sua rede social. Até lá, entretanto, as incertezas continuam se acumulando, assim como as perdas. Desde a detonação do escândalo, o Facebook já viu suas ações acumularem queda de mais de 9%, com perdas de US$ 49 bilhões em valor de mercado.

Atualização: De acordo com o Facebook, a fala de Zuckerberg deve acontecer até esta quinta-feira (22). A empresa também confirmou os boatos de que o foco de seu discurso será na recuperação da confiança dos usuários na plataforma, mas não disse como o pronunciamento será feito.

Fonte: The Verge, Axios, NBC News

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