Acusado de maquiar números, Facebook responde a críticas sobre serviço de vídeos

Por Redação | 06 de Agosto de 2015 às 09h30

A polêmica com relação à postagem e divulgação de vídeos no Facebook atingiu seu ponto mais alto nesta semana quando Hank Green, um dos principais criadores de conteúdo para o YouTube nos Estados Unidos, acusou a rede social de maquiar números e roubar vídeos de forma a incrementar sua posição no mercado. E sim, essas foram as palavras efetivamente utilizadas por ele.

Em um texto publicado no Medium, o vlogger afirma que a empresa “trapaceia” ao privilegiar vídeos próprios em detrimento de links do YouTube ou vídeos de outros sites; “mente” ao utilizar métricas de reprodução automática como sinal de engajamento, quando uma coisa nem sempre representa a outra; e “rouba” conteúdo ao ignorar leis de copyright e permitir que clipes de terceiros sejam hospedados sem problemas pelos usuários.

Essa última questão, inclusive, reflete uma preocupação que já data de alguns meses e é comum principalmente entre os criadores de vídeos virais. A ideia geral é que não existe nada que proteja o responsável original pelos clipes e, mais do que isso, eles precisam denunciar individualmente cada reupload de seus conteúdos, de forma que o Facebook passa fazer uma análise e, quem sabe, retirá-los do ar. Enquanto isso, páginas crescem com o trabalho alheio e os cliques só aumentam, só que de maneira considerada pouco legítima.

O relato de Green chamou a atenção de anunciantes e especialistas para o que pode ser uma apresentação numérica não necessariamente real por parte do Facebook. Ao afirmar que conta com quatro bilhões de visualizações em vídeos por mês, até que ponto a empresa leva em conta quem realmente está assistindo o vídeo, em relação aos que apenas observam os clipes sendo reproduzidos automaticamente na linha do tempo e seguem em frente sem nem olhar para eles?

A resposta da empresa veio mais focada nesse segundo aspecto. Em um comentário no próprio texto do vlogger, Matt Pakes, gerente de produto do Facebook, afirmou que a empresa utiliza métricas avançadas para garantir que apenas as visualizações relevantes sejam computadas. Mais especificamente, apenas a permanência do usuário por mais de três segundos em um vídeo é considerada, além de dados de telemetria relacionados à rolagem da tela.

Tais dados estão disponíveis para os criadores de conteúdo e donos de página, para que eles possam selecionar melhor as postagens e façam um melhor uso de sua audiência. Pakes também confirmou que o Facebook tende a privilegiar os vídeos postados na própria rede social e disse que isso aconteça porque ela oferece uma melhor experiência para esse fim do que os links externos. Aqui, mais uma vez, ponto para a reprodução automática, que, na visão da companhia, facilita a vida de quem consome conteúdo pelo serviço.

Por fim, o executivo ainda disse estar utilizando sistemas automatizados de identificação de conteúdo para identificar clipes que possam infringir direitos autorais. Além disso, Pakes afirmou que o Facebook trabalha junto a criadores para implementar melhores práticas e garantir que vídeos de terceiros não sejam "rehospedados" na rede social.

Fontes: Hank Green (Medium), TechCrunch