Twitter estuda mudar políticas após Zelda Williams sofrer intimidações

Por Redação | 14.08.2014 às 15:49

Após a morte do ator Robin Williams, sua filha, Zelda Williams, foi intimidada nas suas contas do Twitter e Instragram por trolls da internet. Diversos usuários dessas redes sociais enviaram mensagens para Zelda, culpando-a pelo suicídio de Robin Williams por enforcamento. Algumas fotos foram manipuladas para mostrar hematomas no pescoço do ator. As informações são do Washington Post.

Com essas perseguições, Zelda, de 25 anos, afirmou que não poderia lidar com estas mensagens no momento e que ficaria fora do Twitter e Instragram por um bom tempo. Ela pediu para que seus seguidores nessas redes sociais denunciassem duas contas que foram responsáveis pela maioria das mensagens. As contas já foram removidas pelo Twitter, que informou em um comunicado que irá rever suas políticas em função deste ocorrido.

zelda williams twitter

Del Harvey, vice-presidente de confiança e segurança do Twitter, afirmou em um comunicado que este tipo de abuso não seria tolerado no microblog. Ela afirmou que contas relacionadas a esses assuntos foram suspendidas e a empresa está em um processo de avaliação das próprias políticas para que encontre uma forma de lidar melhor com essas situações no futuro. Isso inclui a expansão das políticas para casos de automutilação e informações privadas, buscando melhorar o apoio aos familiares de usuários falecidos.

Os abusos enfrentados por Zelda Williams, no entanto, são apenas uma parte do que outros usuários enfrentam diariamente na rede. A analista jurídica, Imani Gandy, escreveu na terça-feira que há anos sofre perseguição de um homem em particular na web e não consegue fazê-lo parar. Entre as ofensas sentidas por ela estão questões de raça e gênero, além do homem acusá-la de fingir possuir um tumor no cérebro.

Gandy já tentou várias medidas para evitar o homem, como ignorá-lo, ou bloquear suas contas (que ele refaz), durante dois anos. A analista já usou inclusive a opção “denunciar abuso” do Twitter, que também não foi eficiente. Ela afirma que não chamou a polícia, pois considera seu caso menos grave que outros que ela vê acontecer.

Entre um dos casos reunidos por Gandy está uma ameaça de estupro. O Twitter revisou o conteúdo e afirmou que a ameaça não viola as normas de “comportamento abusivo” da rede social. “Não é uma violação das regras para o Twitter ameaçar estuprar outro usuário”, escreveu ela.

O Twitter possui ferramentas como denunciar abuso ou assédio, que permitem que o usuário relate esses casos. No ano passado, a empresa criou o botão “Denunciar abuso” após a britânica Caroline Criado-Perez receber uma ameaça de estupro por minuto ao lançar uma campanha para colocar a imagem de Jane Austin na nota de 10 libras.

Segundo o que o próprio comunicado do Twitter indica, o site ainda tem problemas para lidar com este tipo de questão. Mesmo quando o serviço bloqueia uma conta acusada de abuso, por exemplo, o usuário banido cria uma nova conta e os abusos continuam.

Segundo a crítica de mídia e ativista feminina Soraya Chemaly, ela sente muito pelo que houve com a família Williams, mas isso é uma realidade que acontece todos os dias com outras pessoas. Para ela, o compromisso do Twitter em preservar a liberdade de expressão pode estar “nublando seu julgamento sobre a questão”.

Para Chemaly, enquanto o Twitter não tomar medidas para proteger membros de sua comunidade mais propensos a serem vítimas, continua a ser o alvo do abuso, como Zelda Williams, a abandonar a rede – e não seus agressores.

Fonte: http://www.washingtonpost.com/blogs/the-switch/wp/2014/08/13/twitter-vows-to-improve-our-policies-after-robin-williams-daughter-is-bullied-off-the-network/