Twitter comemora oito anos e foca em publicidade e integração com TVs

Por Rafael Romer | 19 de Março de 2014 às 19h00
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

Comemorando seus oito anos de existência na próxima sexta-feira (21), o Twitter promoveu na manhã de hoje um evento em São Paulo para divulgar alguns números sobre a rede social no país e falar sobre sua estratégia de mercado no Brasil nos próximos meses.

Com cerca de 241 milhões de usuários ativos por mês, a rede social opera fisicamente no Brasil desde 2012, quando abriu seu primeiro escritório em São Paulo. Quase um ano e meio depois, conta com uma equipe atual de 42 pessoas e vem nos últimos três meses expandindo sua estratégia de parceria com produtores de conteúdo, focada principalmente na sua capacidade de funcionar como uma segunda tela para telespectadores.

Desde a entrada da empresa no Brasil, o Twitter viu sua base instalada de usuários móveis superar aquela de usuários desktop no país, passando de cerca de 40% em 2013, para os atuais 64,7%. No mundo, 76% dos usuários do Twitter são móveis. Hoje o Brasil já é um dos cinco maiores maiores para o Twitter, em termos de usuários.

A inversão foi resultado de uma estratégia da rede social, e se deve a três motivos principais, segundo o Diretor Geral do Twitter no Brasil, Guilherme Ribenboim: ao aumento na penetração de smartphones no país, à expansão do Twitter como uma plataforma de "segunda tela" para televisores e às parcerias com as operadoras de telefonia Claro, Tim e Oi, que garantem acesso gratuito ou promovido à rede social.

No início do ano passado, a empresa também realizou uma pesquisa entre usuários para entender como a plataforma é utilizada pelos brasileiros. De acordo com o resultado, 70% dos respondentes afirmaram que o Twitter era sua principal plataforma em tempo real para consumo de informações. Isso fez com que a empresa reforçasse sua atuação junto a produtores e portais de notícias para que mais conteúdo fosse colocado na plataforma.

Twitter Brasil

O Diretor Geral do Twitter Brasil, Guilherme Ribenboim, fala durante a apresentação do Twitter Brasil nesta quarta-feira (19). (Foto: Rafael Romer/Canaltech)

Apesar de estar bem atrás no número de usuários daquele que é considerado um dos seus concorrentes diretos, o Facebook, com seu 1,2 bilhão de usuários, o Twitter mostrou recentemente que é capaz de gerar bastante barulho com o conteúdo publicado em sua plataforma. Durante a cerimônia do Oscar deste ano, a selfie twittada pela apresentadora norte-americana Ellen DeGeneres em uma campanha para a Samsung gerou mais de 3,8 milhões de retweets, que foram visualizados cerca de 32,8 milhões de vezes.

Episódios como esse serviram como alavanca para a empresa aumentar a presença de perfis de personalidades e marcas na plataforma. Além da aceleração do processo de verificação do perfil, o Twitter passou a prestar consultoria de boas práticas para estes usuários, como forma de melhorar suas atuações na rede social. Entre alguns exemplos bem-sucedidos, a empresa cita um trabalho com o Palácio do Planalto para a volta da presidente Dilma Rousseff para a rede social, que aconteceu em setembro de 2013, e a entrada, na semana passada, do jogador Neymar no Vine, a plataforma de microvídeos do Twitter que possui atualmente cerca de 40 milhões de usuários.

Para Guilherme, a principal vantagem que a rede social traz para o mercado e personalidades é que nenhum conteúdo é filtrado para o usuário, que vai ter acesso a 100% das postagens de perfis que seguir. A estratégia é diferente do Facebook, por exemplo, que não expõe o conteúdo postado para todos os seguidores de uma pessoa ou marca, e oferece um alcance maior através de posts patrocinados.

Integração com a TV

O Twitter parece estar determinado a deixar de ser apenas uma rede social para se transformar cada vez mais em plataforma de "publicidade casada", focando sua estratégia principalmente como segunda tela para canais e programas de televisão. De acordo com dados de pesquisas internas da rede social, cerca de 60% dos usuários afirmam comentar conteúdo passado na TV através do Twitter.

E a plataforma já está desenvolvendo novas aplicações para isso. De acordo com Rafael Dahis, Gerente de Produtos da empresa, o Twitter separa grupos de 1% de seus usuários para testar diferentes combinações de seus 300 projetos para novas ferramentas e receber feedback. Isso significa que dificilmente você está usando a mesma versão do Twitter que está instalada no celular de outra pessoa que você conheça.

Uma das iniciativas, já em período de testes na Índia, é um dashboard que funciona como uma sala de bate papo, reunindo tweets sobre um mesmo programa de usuários, atores do elenco, seus amigos e dados do programa. Ainda não há previsão para a chegada da função no Brasil.

"Por ser público e sem filtro, o Twitter funciona muito bem com tudo aquilo que é em tempo real", explica Carlos Moreira, Diretor Executivo de Desenvolvimento de Mercado do Twitter. "Ao comentar determinado assunto, você cria uma roda que começa a girar, impactar outras pessoas, e cria uma consciência sobre aquilo que está acontecendo".

No Brasil, a empresa já cita alguns cases de sucesso de integração entre o Twitter e conteúdo televisionado. Durante a transmissão da final da Copa das Confederações, disputada entre Brasil e Espanha, por exemplo, foram cerca de 2,3 milhões de tweets, ou 18,8 mil tweets por minuto, por exemplo. Uma outra parceria com o canal GNT gerou cerca de 46 milhões de respostas de usuários sobre os temas discutidos no programa Saia Justa. Em julho do ano passado, a empresa anunciou a abertura de seu segundo escritório no país, no Rio de Janeiro, dedicado exclusivamente à área de parcerias de mídia.

A empresa deve inclusive integrar uma nova opção de publicidade para seus parceiros, apelidada de TVCT (TV Conversation Target). Segundo Carlos Eduardo Aun, Diretor Comercial do Twitter, a opção poderá ser utilizada por anunciantes de um programa de televisão específico que teriam seus tweets promovidos para qualquer usuário que twittasse sobre o programa em sua timeline. A estimativa é que isso pode trazer um incremento em vendas de até 16% para empresas de produtos.

Questionado pelo Canaltech sobre como o Twitter pretende implementar as novas plataformas de publicidade sem perder o interesse do usuário, Guilherme Ribenboim afirmou que a companhia se reúne constantemente com empresas para mostrar o que acredita que sejam as melhores práticas para engajamento na rede social, evitando ao máximo tentativas de "hard sell", que costumam afastar consumidores. "Eu acho que as marcas terão que aprender, com o passar do tempo, como ter sua publicidade com conteúdo e informação", disse. "À medida que elas conseguem isso, esse problema fica muito minimizado".

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