Políticos se protegem contra informações falsas que podem ser propagadas na rede

Por Redação | 09.07.2014 às 19:15

É muito comum vermos boatos serem propagados na internet com o único propósito de denegrir a imagem e reputação de uma pessoa pública. Estes boatos, chamados no mundo virtual de Hoaxes, costumavam ser enviados por email espalhando alguma notícia que poderia ser verídica ou não. Com a expansão das redes sociais e dos meios de comunicação online, este tipo de crime tornou-se ainda mais comum, pois, além dos emails, os criminosos começaram a utilizar também outros canais para propagar as tais informações.

Segundo o jornal O Globo, com a proximidade das eleições 2014, os comitês de campanhas políticas estão temendo uma guerra virtual e apressaram-se em criar meios para coibir este tipo de ação criminosa e impedir que informações falsas cheguem ao conhecimento de pessoas desinformadas. Um exemplo disso aconteceu no ano de 2010 durante o período da campanha eleitoral da então candidata a presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, boatos foram propagados na internet alegando que a governante era a favor do aborto. Obviamente, isto influenciou o voto de quem não concorda com o ato.

Por isso, as campanhas políticas deste ano terão grupos para monitorar o tipo de conteúdo que está rolando na rede a respeito dos candidatos. Para se proteger, o político Aécio Neves (PSDB) utilizará sete advogados especializados em direito digital. Já Eduardo Campos (PSB), irá reforçar nas próximas semanas a patrulha virtual do seu comitê para rastrear possíveis boatos. O PT, por sua vez, está criando núcleos de militância digital nas bases para defender a atual presidente.

Coriolano Aurélio Camargo Santos, presidente da Comissão dos Crimes de Alta Tecnologia da OAB-SP, lembra que tomando as precauções certas, é possível evitar que uma informação falsa se propague. Falando sobre o assunto, ele declarou: "O eleitor não está indefeso. É possível remover quase todo conteúdo malicioso, por meio de ordens judiciais e de ferramentas específicas. O caminho pode ser rápido, se a contrainformação for enviada rapidamente. Não depende de medidas burocráticas, mas de uma equipe de advogados e especialistas e de tecnologia".

Em contrapartida, o promotor Luís Otávio Figueira Lopes, responsável no Rio pela apuração de crimes digitais, disse que dependendo do conhecimento técnico do criminoso, ele poderá se esconder de forma eficiente e a investigação pode ser inviável. Lopes acrescentou ainda que a repressão deve ser somente contra a disseminação de informações falsas na rede e não contra a manifestação do pensamento, pois isso se tornaria censura e violaria o direito à liberdade de expressão. Para o promotor, a investigação deve ser judicializada por exigência do Marco Civil da Internet.

Já o advogado Renato Opice Blum, especialista em direito digital, acredita que com o uso da internet em massa no Brasil, as redes sociais serão em 2014 um território fértil para a criação de perfis falsos e compartilhamento de conteúdo malicioso sobre os candidatos. Por outro lado, ele afirma que a rede também é um canal efetivo para combater e esclarecer os rumores que surgirão.

Por isso, procure saber se o que você lê online de fato condiz com a verdade ou trata-se apenas de uma campanha inútil para denegrir a imagem de alguma pessoa e influenciar suas opiniões.