O que achou de ser obrigado a migrar para o Facebook Messenger no smartphone?

Por Luciana Zaramela | 12 de Agosto de 2014 às 09h35

Muita gente tem comentado a nova atuação do Facebook no ramo do "enfiar coisas goela abaixo" dos usuários: a empresa começou a enviar notificações aos membros da rede social avisando que, de agora em diante, mensagens entre amigos e contatos só poderiam ser trocadas em dispositivos móveis por meio do aplicativo Facebook Messenger – app que antes funcionava de maneira paralela ao tradicional aplicativo do Facebook para smartphones e tablets. E parece que a resposta dos usuários não foi nada positiva.

Na iTunes Store, o aplicativo (que é gratuito) conta com apenas uma estrelinha e mais de 18 mil classificações. Algo está errado nisso aí. Acontece que a maioria das pessoas que deu sua opinião sobre o mensageiro ficou extremamente incomodada com o download obrigatório do aplicativo e expressou inconformismo relacionado ao espaço disponível e ao uso de armazenamento em seus dispositivos. Outros reclamaram de bugs na versão e, é claro, de sua privacidade.

iTunes Facebook

Até o momento em que esse artigo era escrito, havia 18798 classificações do app – a maioria dando apenas uma estrelinha para o Facebook Messenger. Alguma coisa está errada nisso aí.

Aos olhares de uma porta-voz do Facebook, o problema com a privacidade foi gerado depois que o jornal The Huffington Post publicou uma matéria intitulada "A cilada dos termos de uso do app móvel Facebook Messenger". Segundo ela, o jornal começou um tipo de meme na web que logo foi acatado por muitos usuários. "E agora está fervendo novamente por causa do que anunciamos na semana passada, a respeito da capacidade das pessoas enviarem e lerem mensagens fora do principal app do Facebook em seus celulares e tablets. Para ser clara, nada a respeito das permissões do Messenger mudou com essa atualização. O artigo do Huffington Post refere-se incorretamente a permissões de aplicativos no Android como se fossem os termos de uso do Messenger. Duas coisas totalmente distintas", explica.

E parece que ela tem razão. Entenda.

Calma, calma, não criemos pânico

Embora tenha sido alvo de tomates podres, o Facebook Messenger não é lá esse bicho de sete cabeças e, talvez, o Huff Post tenha mesmo colaborado para sua estrela solitária frente a tantas classificações na loja internacional de aplicativos da Apple. Você pode até estar sendo forçado a migrar para o aplicativo para conversar com seus amigos, mas isso não significa que ele esteja invadindo sua privacidade, muito menos que ele seja parte da teoria da conspiração do universo.

De acordo com o Mashable, o Facebook sempre esteve ciente de que seus usuários detestam mudanças, a exemplo do novo Feed de Notícias, das propagandas, das mudanças de Timeline, dos termos de uso do Instagram... a lista é longa, e sempre que uma novidade é lançada, é automaticamente recebida com vaias pelo fiel público da rede social.

O máximo que o Facebook Messenger faz é pedir para acessar a câmera e o microfone do seu celular ou tablet. Para muitos, isso já é motivo suficiente para pensar que o aplicativo é uma nova ferramenta de espionagem da NSA, mas vale o esclarecimento: o Facebook Messenger não faz nem pede nada de diferente do que pede o aplicativo padrão do Facebook. Esse mesmo que você usa todos os dias em seu dispositivo móvel para checar o feed de notícias. E também não é diferente de nenhum outro app de mensagens.

O problema é com as permissões do Android

Parece que a turma do Huff Post não entendeu muito bem como funcionam as permissões do Android, que, convenhamos, sempre foram uma bagunça total. E é uma coisa que deve vir melhorada no Android L. As pessoas estão achando que o aplicativo está invadindo sua privacidade só porque precisa de acesso ao microfone para que possam ser enviadas mensagens de voz.

Para tentar acabar de vez com o mal-entendido, o Facebook criou uma página dentro da rede social para explicar o acesso do aplicativo no sistema operacional do Google.

Se você instala o Messenger no Android, logo vê uma tela do app pedindo permissões, certo? Quase todos os aplicativos necessitam de algumas permissões do sistema para que rodem perfeitamente, e o Facebook pede para usar estas permissões para rodar alguns recursos existentes no app. É o Android que controla e dá nomes a essas permissões.

Facebook Messenger

Tentando esclarecer ainda mais a confusão, o Facebook decidiu enumerar as permissões do Android usadas por seu mensageiro e explicar o motivo de o app exigir cada uma delas:

Tirar fotos e vídeos: é necessário que o app seja permitido a fazer isso, já que ele envia e recebe imagens suas e de seus amigos durante as conversações;

Gravar áudio: é necessário ter acesso ao microfone para enviar mensagens de voz, fazer ligações gratuitas e captar áudio ao gravar vídeos;

Discar diretamente para números de telefone: essa permissão faz com que você ligue para um contato via Messenger apenas ao tocar sobre seu número de telefone;

Receber mensagens de texto (SMS): se você adicionou seu telefone para ter mais segurança em sua conta do Facebook, será necessário enviar uma mensagem de texto para você sempre que alguém tentar acessar sua conta ou você tentar entrar no Facebook usando outro dispositivo. Isso também funciona para o Messenger;

Ter acesso a seus contatos: para que você adicione seus contatos ao Messenger, é preciso que o app esteja liberado a acessar sua lista.

De tempos em tempos, o Facebook vai pedindo mais permissões para realizar determinadas tarefas. A empresa geralmente explica por que essas permissões estão sendo requisitadas, e nada do que a atualização do Messenger está pedindo é novo. Se você tem um aplicativo do ano passado instalado em seu celular, vai ver que aprovou todas as mesmas permissões.

A lista de permissões do Android (screenshot acima) é realmente assustadora. Dizer que o Facebook Messenger precisa de acesso a sua identidade, contatos, localização, SMS, telefone, fotos, câmera e ID do dispositivo pode até parecer alarmante para quem é pego de surpresa, mas isso não quer dizer que o aplicativo esteja cheio de más intenções e nem que sua privacidade esteja sendo invadida.

É tudo uma questão de recursos: você pode optar por usar livremente o aplicativo e dormir tranquilo, mas, se mesmo assim, o fantasma da invasão de privacidade continuar te perseguindo em seus piores pesadelos, que não seja motivo para discussão: é melhor você nem fazer parte de uma rede social.

Siga o Canaltech no Twitter!

Não perca nenhuma novidade do mundo da tecnologia.