Pesquisa: o futuro das mídias sociais está no Brasil

Por Joyce Macedo | 18.09.2013 às 10:00

Os olhos do mundo inteiro estão voltados para o Brasil por uma série de motivos que vão desde a escolha do país para sediar os principais eventos esportivos do mundo nos próximos anos, passando pelo crescimento acelerado da nossa economia e até mesmo por sermos alvo do programa de espionagem do governo dos Estados Unidos.

Estreitando um pouco o campo de visão e focando apenas no segmento de tecnologia, o Brasil também está emergindo como um dos países mais experientes nas mídias sociais. Um relatório recente do eMarketer aponta que 79% dos usuários de internet no Brasil (cerca de 78 milhões de pessoas) estão presentes nas mídias sociais.

É impossível ignorar também a presença dos brasileiros no Facebook: são 76 milhões de usuários na rede social, número que fica abaixo apenas dos Estados Unidos e da Índia. Mais que isso, o país possui alguns dos internautas mais assíduos no site de Mark Zuckerberg em todo o mundo. São 47 milhões de brasileiros acessando a plataforma diariamente, o que coloca o Brasil na segunda posição do ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos.

Com a saturação da mídia social aparecendo nos Estados Unidos e Europa, com os cidadãos chineses presos a uma grande barreira eletrônica (sem acesso legal ao Facebook e Twitter), e com a Índia ainda em estágios relativamente iniciais de revolução da internet, o Brasil de repente parece ganhar um título considerado "improvável" por Ryan Holmes: a terra das mídias sociais. E o executivo realmente entende do assunto, afinal ele é CEO da Hootsuite, um dos sistemas de gerenciamento de mídias sociais mais populares do mundo.

Durante a última década, a classe média do país expandiu-se dramaticamente, com um crescimento de 40%, e agora já engloba mais da metade da população. Os esforços do governo para conectar o Brasil resultaram em cerca de 100 milhões de brasileiros online, e a estimativa é de que até 80% da população tenha acesso à internet em 2016.

E a grande atração da internet no país são as mídias sociais – 36% do tempo online dos brasileiros é gasto com essas plataformas. Diferente de outros países, o Brasil tem uma cultura de ser mais social, tanto virtual quanto pessoalmente. É difícil para muitos estrangeiros iniciar uma conversa despretensiosa com um estranho enquanto aguarda em uma fila, por exemplo.

Os consumidores do Brasil estão ansiosos para gastar seu dinheiro, e com um número cada vez mais crescente de pessoas que compram smartphones e computadores, os sinais apontam pra um crescimento contínuo em termos de conectividade no país.

Publicidade digital no Brasil

Apesar dessa forte presença nas mídias sociais e um potencial de crescimento enorme, a publicidade digital ainda está em sua infância, pois ela responde por apenas 10,6% do mercado de publicidade no país – em comparação a 19,8% em todo o mundo. Por aqui, a grande estrela da publicidade ainda é a TV, que recebe 69,4% das verbas destinadas a esse mercado.

Mas a publicidade móvel no Brasil tem crescido rapidamente nos últimos anos, e a expectativa é que os gastos com esse tipo de serviço aumentem 900% até o final de 2014 – em comparação com os números de 2011. Há dois anos, os gastos eram de U$ 12,8 milhões e a estimativa é que cheguem a U$ 132,9 milhões no próximo ano.

Mas o marketing de mídia social no Brasil já demonstra habilidades incomuns em relação aos demais países do globo. Com a criatividade típica do brasileiro como aliada, algumas campanhas digitais chamaram a atenção internacionalmente, como a da varejista de roupas C&A. No ano passado, a rede de lojas lançou uma ação que levava os "likes" da vida real para o universo virtual. Cabides equipados com botões especiais interagiam com um aplicativo que permitia que os likes dados em cada peça de roupa na loja física fossem atualizados em tempo real no Facebook.

A soma de uma série de fatores, incluindo que a maioria dos usuários do Facebook no Brasil possui menos de 24 anos e a diminuição da força das mídias sociais em outras partes do mundo, indica que o futuro dessas plataformas está realmente no Brasil.