O Facebook quer forçar você a instalar o Messenger em seu celular

Por Redação | 10.04.2014 às 11:13 - atualizado em 10.04.2014 às 11:37

O Facebook deu início nesta quinta-feira (10) a uma mudança drástica na maneira com a qual os usuários interagem com a rede social. Começando na Europa, a empresa está solicitando a quem utiliza seu aplicativo no iOS e Android que baixe o Facebook Messenger, sua solução específica para bate-papos e que, recentemente, também ganhou recursos de chamadas de voz.

A modificação é radical e de acordo com o Facebook, no futuro, os chats somente poderão ser acessados por meio do app mensageiro instantâneo, enquanto o software principal funcionará exclusivamente para as interações dentro da rede social. Segundo as informações do TechCrunch, a obrigatoriedade deve ser aplicada nas próximas semanas, já que a empresa quer dar algum tempo para que as pessoas se adequem e se acostumem à nova maneira de utilizar os recursos.

Há alguns meses a rede social já tinha dado indícios de que isso aconteceria. Se você é usuário de um smartphone com iOS ou Android, já deve ter percebido que, ao clicar na opção de chats do Facebook, era levado diretamente para o Mesenger. Até agora, porém, a opção não era obrigatória e, para usar a função a partir da própria rede social, bastava não instalar o app de mensagens.

Em breve, porém, as funções de conversa e ligações entre os usuários somente estarão presentes no software dedicado a isso. A exceção será apenas aqueles que possuem um aparelho Android defasado e incompatível com o Messenger ou que utilizem a versão web do Facebook. Por meio do Paper, porém, a função de chat continuará habilitada.

Subindo de nível

A mudança já havia sido explicada por Mark Zuckerberg em novembro de 2013 durante o evento Mobile Dev Day. Segundo ele, os chats do Facebook são uma das funções mais utilizadas da rede social, mas dentro de seus aplicativos móveis, eram vistos como uma opção de segunda categoria, que não estava em destaque nem incentivava seus usuários a adotá-la.

A ideia, então, agrada a dois segmentos de público. Aqueles que querem utilizar a rede social sem interrupções podem fazer uso do app proprietário e evitar as distrações causadas pelo recebimento de mensagens. Enquanto isso, quem gosta de conversar com os amigos terá uma solução completa para isso, mais leve e com funções que não estão disponíveis a partir do software do próprio Facebook.

Além disso, a mudança pode ser uma resposta às críticas sobre o peso do aplicativo do Facebook, conhecido como um notório consumidor de bateria e recursos dos aparelhos. A divisão de tarefas acaba reduzindo essa carga e, nos smartphones com menor poder de processamento, pode até ser uma mudança bem-vinda.

Resta saber, agora, se os usuários da rede social realmente vão se acostumar com o uso de dois aplicativos separados para as funções. A estratégia não deixa de ser perigosa e pode acabar reduzindo o número de utilizadores móveis da plataforma, que é hoje um dos principais nichos de mercado para a companhia.

A mudança também pode acalmar os corações daqueles que ainda estão preocupados com possíveis mudanças no WhatsApp, que foi adquirido pelo Facebook em fevereiro. Em vez de modificar o funcionamento do app de mensagens, a empresa tem preferido trabalhar em sua própria solução de Messenger e em apresentá-la como uma alternativa à solução concorrente que, agora, é do próprio Facebook.