No Brasil, criadora do Lulu faz lançamento oficial do polêmico aplicativo

Por Rafael Romer | 27 de Novembro de 2013 às 15h36

"Se é justo ou não, essa não é a questão que discutimos. O que nós fizemos foi pegar uma coisa que é perfeitamente normal na vida real: garotas discutirem relacionamentos. E trouxemos isso para uma plataforma", afirmou a fundadora e CEO do Lulu, Alexandra Chong, durante um evento para a imprensa e usuárias convidadas na manhã desta quarta-feira (27).

O Lulu, aplicativo para avaliação e rankeamento de perfis de homens por mulheres, foi lançado oficialmente no Brasil hoje (27), mas desde a semana passada já faz barulho nas redes sociais. Entre críticas de que seria um app machista e elogios do empoderamento que traz às mulheres, em uma semana, o app atingiu o primeiro lugar na lista dos apps gratuitos tanto na iTunes AppStore quanto na Google Play – à frente de outros bastante populares como o Facebook e o WhatsApp.

Lulu

Alexandra Chong, fundadora e CEO do Lulu, participa de evento em Sâo Paulo (foto: Rafael Romer/Canaltech)

O Brasil é o primeiro país a receber o Lulu após os Estados Unidos, onde o serviço já existe há nove meses e uma a cada quatro universitárias já o utiliza. "As mulheres brasileiras são trendsetters, elas são fashion, fortes e muito sociáveis. Esse é um dos maiores mercados de paquera do mundo", disse Alexandra sobre a escolha de começar a expansão do app pelo Brasil.

Segundo a criadora do app, a ideia para o Lulu surgiu em um brunch após o Valentine's Day (o dia dos namorados norte-americano), quando Alexandra e um grupo de amigas sentaram durante horas de girl talk em uma mesa. “O que foi mais impressionante é como todas foram abertas durante a conversa", conta. "Não tinha nenhum cara naquela mesa. Se um homem tivesse se juntado àquele grupo de mulheres, elas não sentiriam a mesma coisa, não conseguiriam compartilhar os detalhes, a honestidade e o valor da verdade na conversa".

A polêmica ao redor do aplicativo foi tanta que diversas pessoas já falam em criar uma versão semelhante voltada para o público masculino. A expectativa é que o app, já apelidado de Tubby, saia até o final desta semana no país. O Tubby, no entanto, não tem nenhuma relação com a empresa responsável pelo Lulu.

De acordo com Alexandra, é "bizarra" a quantidade de vezes que ela foi questionada sobre o assunto, mas explica que não tem a menor intenção de desenvolver uma versão masculina do Lulu. "Eu não sou um homem e não entenderia nem por onde começar a construir um produto para homens", afirmou. "Nós vemos várias pessoas falando que vão desenvolver um app [para homens], mas se acontecer, não acho que vá ser a mesma coisa. Homens e mulheres são diferentes na maneira como falam sobre relacionamentos e se comunicam. Eu ficaria muito surpresa se isso acontecesse e fosse um sucesso".

Ela não descarta, entretanto, que o aplicativo possa receber um update para usuárias homossexuais – um dos maiores motívos de críticas ao Lulu até agora, já que usuárias podem avaliar apenas usuários homens, e não outras mulheres.

Por aqui, o app foi visualizado mais de 5 milhões de vezes e mais de 1 milhão de avaliações já foram criadas. Em média, as usuárias costumam retornar ao app nove vezes por dia. O volume de acesso ao aplicativo é tão grande que diversas usuárias já estão reclamando da lentidão e impossibilidade de acessar o serviço desde a noite de ontem (26). "O serviço vai estar um pouco instável, mas nós estamos jogando mais recursos no Brasil. É um problema bom de se ter", brincou a CEO.

Antes de ser lançado no país, o app passou por um período de testes com diversas universitárias brasileiras, além de um processo de criação com escritores locais para traduzir as hashtags para expressões que são usadas por aqui. Júlia Steffen (19), estudante de Ciências Sociais na Universidade de Campinas (Unicamp), foi uma das primeiras a experimentar o app durante o perído de testes e não o largou desde então. "Quando você vai para uma cidade diferente você quer olhar um mapa. O Lulu é isso, você saber onde você está pisando", conta. No período de testes, o app reuniu mais de 35 mil avaliações em apenas três semanas – o número é o mesmo do total de estudantes do sexo masculino de Campinas.

Para os meninos, basta ter uma conta no Facebook para ter seu perfil disponível no app. Entretanto, é possível desativar seu perfil, mas para isso é preciso acessar as suas configurações através do app ou mandar um e-mail para a empresa (privacy@onlulu.com). Segundo a CEO, no entanto, cerca de 25% dos homens que pedem para o site retirar seus perfis do app voltam atrás na decisão em menos de uma semana.

Próximos passos

Segundo Alexandra, o Lulu deve receber uma série de implementos nos próximos meses, mas não detalhou quais as funções esperadas. Durante a entrevista que concedeu ao Canaltech, no entanto, a CEO comentou sobre um dos cases recentes do aplicativo, que recebeu o perfil do chocolate Bis. O episódio, que segundo ela não foi pago pela marca, mostra uma das possibilidades do app de trabalhar com marcas. Por enquanto o app ainda não está sendo monetizado, mas planos para que isso comece a acontecer a partir do ano que vem já estão no roadmap da empresa.

Segundo Alexandra, o Lulu já recebeu o aporte de uma série de investidores internacionais e até brasileiros, como o executivo fundador do Buscapé, Romero Rodrigues. O valor do investimento, no entanto, não é revelado.

A sede da empresa responsável pelo Lulu fica atualmente em Londres, cidade na qual Alexandra já morou e trabalhou durante muitos anos, mas já está em transferência para Nova York devido à demanda do mercado norte-americano pelo app. A CEO mantém o mistério sobre quais devem ser os próximos países a receber o aplicativo, mas afirmou que regiões como a América Latina, principalmente Argentina, Chile e Colômbia, além de países como o Reino Unido, Índia e Africa do Sul, estão na zona de interesse do Lulu.

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