Mark Zuckerberg defende política de anúncios do Facebook e critica Apple

Por Redação | 05 de Dezembro de 2014 às 15h28
photo_camera Divulgação

Apesar de muitas vezes atuarem lado a lado, Apple e Facebook demonstraram recentemente uma severa diferença de opiniões com relação ao uso de anúncios online. O CEO da Maçã, Tim Cook, afirmou que quando um serviço é gratuito, para as empresas que o gerenciam, o usuário deixa de ser um consumidor e passa a se tornar o próprio produto. Uma declaração que, agora, foi refutada publicamente por Mark Zuckerberg.

Entrevistado pela revista americana Time sobre seus projetos de levar a internet a áreas carentes do mundo, o criador da rede social afirmou que a ideia de que plataformas monetizadas por anúncios são ruins para os usuários é “ridícula”. Para ele, não existe nenhum tipo de traição dos usuários quando propagandas são colocadas no ar, da mesma forma que apresentar produtos pagos também não auxilia na fidelização deles.

Zuckerberg usou a própria Apple como exemplo para explicar isso. Segundo ele, a prova de que o fato de usuários concordarem em pagar por algo não significa que eles estão de acordo com as políticas da empresa vem em relação às políticas de preços do iPhone e outros produtos, por exemplo, que na opinião da maioria de seus consumidores, poderiam ser bem mais baixos. “Se [a Maçã] estivesse alinhada [com seus usuários], seus produtos seriam mais baratos”, completa.

O CEO do Facebook também afirmou estar frustrado com esse tipo de ideia, já que para ele, o grande objetivo final é a popularização da rede e a chegada da conectividade a todos os lugares do mundo. E, nas palavras de Zuckerberg, isso simplesmente não é possível quando se fala em produtos pagos. Em regiões remotas, muita gente não tem dinheiro nem mesmo para suas necessidades básicas, quanto mais para pagar por acesso a plataformas online.

Por outro lado, esse tipo de serviço precisa se financiar de alguma maneira, e para o Facebook, isso se dá por meio dos anúncios. Na reportagem, Zuckerbeg também criticou a postura do Ello, que com declarações semelhantes à de Cook, afirma não coletar dados de seus usuários nem transformá-los em produtos. Para o fundador do Facebook, a postura é louvável, mas tem prazo de validade e, em determinado momento, o modelo de negócios simplesmente não se sustentará desta maneira.

Gratuito = ruim?

O criador de uma das redes sociais mais usadas do mundo se refere a declarações feitas por Tim Cook em setembro, no próprio site oficial da Apple. Em meio aos escândalos de espionagem da NSA e do então recente vazamento de fotos íntimas de celebridades como Jennifer Lawrence e Kirsten Dunst, a empresa veio a público afirmar que não coleta informações de seus usuários para fins comerciais e que não tem desejo algum de se tornar um “baú de tesouro” para hackers e criminosos digitais.

Na carta aberta aos clientes, Cook afirma que a Apple não tem o menor interesse em fazer dinheiro por meio do rastreamento dos hábitos e históricos de seus usuários. Mais do que isso, eles deveriam estar preocupados com quem age desta maneira e se manter longe de sistemas desse tipo, preferindo aquelas alternativas que, notadamente, não trabalham desta maneira. O executivo não citou nomes, mas parece óbvio que ele está falando de rivais como Facebook e Google.

As declarações também já haviam motivado uma resposta de Eric Schmidt, um dos diretores da gigante das buscas. Em outubro, ele afirmou que Cook deveria se informar melhor sobre seus concorrentes, uma vez que o Google tem em vigor alguns dos melhores protocolos de segurança do mercado atual, mantendo as informações de seus usuários em total segurança.

Canaltech no Facebook

Mais de 370K likes. Curta nossa página você!