Mark Zuckerberg abre o MWC falando de internet livre

Por Redação | 03.03.2015 às 12:15
photo_camera Foto: Divulgação/Mashable

O Mobile World Congress é, como o nome já faz questão de deixar claro, uma feira voltada para o mercado de celulares. E para o Facebook, são eles não apenas o grande motor de crescimento da empresa nos dias atuais, mas também um dos possíveis métodos para levar adiante seu projeto de internet para todos. Foi isso que levou o fundador da rede social, Mark Zuckerberg, a discursar na abertura do evento, que está acontecendo nesta semana em Barcelona.

No palco, ele repercutiu o estudo recente realizado pela organização Internet.org, que faz parte de sua companhia, sobre o estado atual da conectividade online na população mundial. De acordo com a pesquisa, 60% das pessoas ao redor do globo não estão ligadas à rede, mas 90% delas vivem ao alcance de pelo menos uma rede que poderia prover esse acesso. É isso que Zuckerberg deseja mudar.

Para Zuckerberg, falar de satélites, drones e métodos rebuscados para levar a internet a lugares remotos do mundo sempre é muito legal, mas o trabalho de verdade acontece no cotidiano, com aquelas pessoas que têm acesso mas decidem não usufruir dele. Para justificar essa mudança de discurso – já que o próprio Facebook é adepto das soluções ultratecnológicas desse tipo –, ele usou países como Zambia e Colômbia como exemplos, onde a empresa já trabalha com parceiros para aumentar o valor da rede e conscientizar a população.

Esse tipo de trabalho, na realidade, se estende por toda a atuação do Internet.org. No MWC, Zuckerberg afirmou que a organização atua de maneira diferenciada em cada país em que está presente, de forma a realizar um trabalho significativo. Na África, por exemplo, o acesso à rede para busca de informações sobre saúde e situação política é gratuito.

E todos, sem exceção, ganham acesso gratuito, também, a uma versão de testes do Facebook e seus serviços. As funcionalidades básicas da rede social e possibilidades como login e comentários em sites, por exemplo, estão disponíveis, mas não outras coisas como o WhatsApp, de forma a não interferir no negócio das operadoras de telefonia. E é nesse ponto que a companhia trabalha agora, de forma a ter as empresas do setor nesse barco e permitir que elas também auxiliem nos planos de levar a internet para todos por vias mobile.

E como contou a reportagem do IDG Now, algumas já estão até mesmo ganhando dinheiro com isso. Sem citar nomes, Zuckerberg parabenizou três operadoras com atuação global em iniciativas em países com pouca conectividade. Segundo ele, a ideia de fornecer acesso gratuito à internet para essas pessoas resultou em novos contratos de telefonia móvel, uma vez que os novos “habitantes” da internet, uma vez dentro dela, quiseram acesso a mais serviços e acabaram optando por pagar por um pacote completo.

O discurso de Zuckerberg, mais do que tudo, marca mesmo uma mudança de paradigma. Como já comentado, antes, se falava em tecnologias e formas de levar a internet a locais remotos. Agora, pelo menos para o Facebook e seu Internet.org, esse projeto deixa de ter esse caráter aventureiro para ganhar características mais mercadológicas. Com todas as letras, o CEO da rede social disse que a obtenção de um acesso universal à rede passa por acordos pelas operadoras como via principal.

Cochilo conectado

Essa mesma mudança de postura, porém, trouxe uma anedota interessante sobre o discurso de abertura do MWC. Como mostrou o site Business Insider, muitos jornalistas, ávidos para conhecer as novidades do mundo da tecnologia e, quem sabe, até ouvir algum anúncio relacionado ao próprio Facebook durante a apresentação, acabaram dormindo durante a fala de Zuckerberg e seus convidados.

Citando posts no Twitter de pessoas presentes no evento, o site conta que a fila de espera para a palestra de Zuckerberg era de cerca de duas horas. Muita gente, porém, acabou saindo antes da hora quando diretores de operadoras de telefonia ganharam espaço para falar das vantagens que obtiveram ao se unirem ao Internet.org.