Governo dos EUA quer ferramenta para detectar sarcasmo nas redes sociais

Por Redação | 08 de Junho de 2014 às 19h14
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Uma ordem do governo dos Estados Unidos, mais especificamente, de seu Serviço Secreto, quer automatizar uma percepção que nem mesmo algumas pessoas “de verdade” possuem. O departamento está montando um sistema de monitoramento de informações públicas em redes sociais que, entre diversos outros atributos, deve ser capaz de detectar mensagens sarcásticas ou que possam gerar falsos positivos.

Apesar do pedido não entrar em detalhes, a ideia parece ser evitar casos como o de uma holandesa de 14 anos que acabou presa após uma piada sem graça com o Twitter da American Airlines, na qual disse ser da Al-Qaeda e estar prestes a realizar um ataque. A preocupação exacerbada com segurança, muitas vezes, é vista pelo público e imprensa como paranoia, além de, assim como em trotes telefônicos para autoridades, muitas vezes acabar desviando a atenção dos casos que podem acabar se provando reais.

Além dessa característica, o Serviço Secreto americano está em busca de softwares de análises que sejam capazes de sintetizar grandes quantidades de informações de redes sociais de maneira visual. A ideia é facilitar o acesso à informação por meio do Big Data e identificar tendências de comportamento, facilitando assim a identificação daqueles que andam fora da curva e podem possuir informações importantes para a segurança nacional.

Monitoramento de palavras e termos mais citados, formadores de opinião e mapas de calor também são ferramentas que serão usadas pelo governo dos EUA nesse trabalho. O contrato inicial com o prestador de serviços seria de cinco anos, com renovação possível caso a tecnologia se encaixe com os propósitos da agência.

As informações são do jornal americano The Washington Post, que lembra de casos passados onde tecnologias do tipo já foram aplicadas brevemente pelo Departamento de Segurança Nacional. A passagem de "pente fino” pelas redes sociais, por exemplo, já foi criticada anteriormente e, inclusive, assunto de processos contra o governo movidos por entidades de proteção à privacidade, que acreditam que, com a prática, a liberdade dos cidadãos estaria comprometida.

Aqui, porém, estamos em terreno um pouco mais pantanoso. Por mais que ainda se trate de uma coleta e verificação ostensiva de dados de gente sem qualquer relação com terrorismo, tratam-se também de informações públicas e acessíveis a qualquer um. Sendo assim, não existiria problema nesse tipo de escrutínio.

Resposta rápida

Para Ed Donovan, porta-voz do departamento, não se trata apenas de verificar informações sobre a segurança da nação. Ferramentas de monitoramento desse tipo podem ser utilizadas também para auxiliar o governo em decisões importantes ou tomar atitudes rápidas com relação a problemas comuns, antes que eles tomem grande escala.

É o caso, por exemplo, de um monitoramento do tipo já realizado em 2012, quando o governo se voltou ao Facebook para conhecer a opinião dos cidadãos sobre a transferência de presos da famosa prisão de Guantanamo para o estado americano de Michigan. Acusada de violação de privacidade, a administração teve que se submeter a uma audiência pública com relação ao caso.

Donovan cita também um caso de 2009, quando americanos com ingressos para a posse presidencial foram impedidos de chegar ao Capitólio após problemas com a verificação de segurança em um dos acessos ao local. Rapidamente, os atingidos mostraram sua insatisfação pelas redes sociais e, caso existisse um sistema de monitoramento, o governo poderia tomar atitudes mais velozes com relação ao caso.

Sobre a questão do sarcasmo, o porta-voz afirmou que esse é apenas um entre quase duas dezenas de atributos que são necessários em sistemas do tipo. Além disso, afirmou estar utilizando soluções de terceiros que não necessariamente atendem a todas as necessidades governamentais e, justamente por isso, foi aberto o processo de compra de tecnologia, que deve ser concluído ainda neste ano.

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