Fundador do Twitter vem ao Brasil e discute empreendedorismo com estudantes

Por Rafael Romer | 11.04.2013 às 19:53
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O fundador e diretor executivo do Twitter, Jack Dorsey, participou na manhã desta quinta-feira (11) de um bate-papo com jornalistas e estudantes da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Em sua primeira visita ao país, Dorsey afirmou que veio motivado por razões "egoístas", mas principalmente para conhecer mais do país que será sede de eventos "muito importantes nos próximos anos".

"O Twitter no Brasil tem sido incrível, este é um dos nossos maiores mercados, nós temos aqui um pequeno time que está crescendo. É um mercado muito importante para nós e estamos aprendendo muito com esse cenário cheio de early adopters (usuários que começam a utilizar um serviço bem cedo) e muito social", afirmou. O microblog abriu seu primeiro escritório no Brasil em dezembro do ano passado, o terceiro no mundo fora dos Estados Unidos, após Inglaterra e Japão.

Durante a conversa, Dorsey falou bastante sobre suas experiências na criação do Twitter, Vine e Square, mas se esquivou de perguntas sobre planos futuros para os serviços. Questionado sobre a posição atual do Twitter no mercado, o CEO afirmou que a rede social já se mostrou como uma alternativa forte para investidores e já ultrapassou a barreira da dúvida sobre como poderia ser fonte de dinheiro em longo prazo.

Quando foi levantada a possibilidade de levar a empresa a um IPO (oferta pública de ações), Dorsey descartou a ideia. "As únicas vezes que nós discutimos IPO foram quando os repórteres nos perguntam", brincou. "Nós não falamos sobre isso na companhia", completou o executivo, que tem como aspirações atuais até a possibilidade de se candidatar a prefeito de Nova York.

Dorsey também falou sobre a relação do Twitter com o gigante das redes sociais, o Facebook, que recentemente deu mais um passo em direção ao mercado mobile com o lançamento da plataforma Home para celulares. Segundo ele, o microblog não tem motivo para ter medo de ser esquecido por usuários diante da expansão da rede de Mark Zuckerberg, já que ambos servem para funções diferentes. "O Facebook é bom para manter uma rede social, mas não vejo o Twitter para isso. Eu vejo o Twitter no mesmo plano de checar a previsão do tempo todas as manhãs. Eu posso acordar e checar o Twitter e saber o que está acontecendo no mundo agora, eu não preciso tweetar, eu posso só ver o que está acontecendo na minha cidade, no meu país e globalmente", disse.

Sobre o aspecto social da rede, Dorsey afirmou que o Twitter tem o papel de manter atualizações de pessoas e acontecimentos importantes para cada usuário e em tempo real. "No começo, nós recebemos muitas críticas de pessoas dizendo que o Twitter só servia para dizer o que alguém estava comendo no café da manhã, que era sem sentido e superficial", contou. "Mas toda mensagem, todo tweet, é importante para alguém".

Considerado um dos maiores jovens inovadores do mundo, Dorsey também falou um pouco de suas experiências como empreendedor para a plateia de estudantes, alguns já com suas próprias start-ups em fermentação. "Empreendedorismo significa tomar riscos financeiros para fazer alguma coisa nova. Não significa criar sua própria companhia, você pode fazê-lo na sua companhia atual, na sua escola, na sua sala de aula. É mais uma atitude do que um trabalho", explicou.

Para ele, um aspecto importante é colocar sua ideia no papel e mostrar para outras pessoas, a fim de receber o feedback. "Eu tentei criar o Twitter em 2001, através de um serviço simples de e-mail. Fui até um parque e mandei um e-mail para meus amigos, dizendo que estava lá. Logo descobri que nenhum dos meus amigos se importava", contou. Segundo Dorsey, outra coisa importante é que o criador de uma ideia se envolva com ela no nível mais básico, principalmente no que diz respeito à importância de aprender programação. "Você tem que saber o que está construindo", afirmou.

Programando desde os 13 anos de idade, Dorsey conta que começou impulsionado por um desejo de saber o que estava acontecendo na cidade à sua volta. "Eu desenhava mapas no meu computador. Ouvia ambulâncias, carros de polícia e de bombeiros, prestava atenção em onde estavam e no que estavam fazendo, e colocava as informações no programa", conta. Logo ele percebeu que o elemento que faltava no programa eram as pessoas – e foi aí que surgiu a ideia da criação do Twitter.

Criado há sete anos por um pequeno time de pessoas na antiga companhia de Dorsey, chamada Odeo, o Twitter levou cerca de duas semanas para ficar pronto. De acordo com ele, a ideia de restrição do serviço para mensagens de até 140 caracteres – assim como o limite de seis segundos dos vídeos feitos no Vine – é inspirar a criatividade dos usuários. O CEO cita como exemplo as ferramentas como hashtags e "RT", originalmente criadas por usuários e apenas implementadas pelo serviço com o passar do tempo. "De modo prático, nós também queríamos construir uma ferramenta que qualquer pessoa no mundo pudesse usar, mas estávamos limitados pelo SMS, cujo limite é 160 caracteres", explica.

Um dos focos do executivo para o futuro é no desenvolvimento e ampliação da plataforma Square, serviço de pagamento que integra cartões de crédito a celulares e já está disponível nos Estados Unidos e Canadá. Lançado em 2010, Dorsey contou que o Square teve cerca de sete meses de período de maturação e de discussão de termos legais com empresas de cartão de crédito e lojistas antes de entrar no mercado. O tempo, entretanto, trouxe uma boa experiência para a empresa, que começa a trabalhar agora no reconhecimento de dinâmicas e leis de outros mercados para introduzir o Square. Infelizmente, ainda não há previsão para o serviço desembarcar no Brasil. Quem sabe a visita não serviu também para isso?