Facebook vai construir laboratório para simular internet em países emergentes

Por Redação | 26 de Fevereiro de 2014 às 13h09
photo_camera Divulgação

Mark Zuckerberg está empenhado em levar internet para todas as pessoas do planeta. Prova disso é uma parceria recente do Facebook com a Ericsson que vai resultar na construção de um laboratório para simular os principais problemas de rede e conexão enfrentados por países emergentes. Saiu no UOL.

Anunciada durante o Mobile World Congress (MWC) 2014, em Barcelona, na Espanha, a iniciativa faz parte do Internet.org, projeto anunciado por Zuckerberg no ano passado que tem o objetivo de conectar 5 bilhões de pessoas que ainda não possuem acesso à web. A parceria do Facebook com a Ericsson vai além e já reúne outras companhias, entre elas Samsung, Qualcomm, MediaTek, Nokia e Opera Software.

As companhas também justificam a criação do espaço porque os desenvolvedores acabam tendo acesso apenas ao seu ambiente de rede atual, que na maior parte do tempo conta com bom sinal de internet (ou pelo menos com um sinal estável). Como os consumidores se conectam de diferentes localidades e dispositivos, as operadoras têm uma tarefa ainda mais difícil de elaborar infraestrutura e serviços de qualidade que correspondam àquela área em específico.

O laboratório ficará localizado no campus da rede social, em Menlo Park, na Califórnia, e deve ficar pronto no segundo semestre deste ano. Por lá, serão testados serviços e aparelhos de rede em ambientes com condições distintas. Dessa forma, as duas empresas poderão identificar falhas e trabalhar em formas para melhorar as conexões.

De acordo com Elaine Weidman-Grunewald, vice-presidente de sustentabilidade da Ericsson, a companhia terá de instalar uma rede 2G em todo o campus do Facebook, já que todo o local só possui conexões superiores, como a 4G. Isso sem contar que a corporação terá de procurar aparelhos compatíveis com a velocidade de internet que pretendem estudar.

"Tentamos aproveitar nosso conhecimento desses mercados em países emergentes. A Ericsson tem uma história de trabalho há pelo menos cem anos na África e isso se repete em outras localidades do Oriente Médio e Ásia", explicou Elaine. A afirmação da executiva reforça uma pesquisa conduzida pelo Ericsson Labs, que constatou que oito em cada dez usuários de redes móveis nessas regiões usam 2G.

Internet para todos

Facebook

O projeto Internet.org foi anunciado em agosto do ano passado. A ideia é proporcionar Internet para as mais de 5 bilhões de pessoas ao redor do globo que ainda não têm acesso à web e reduzir drasticamente o custo da prestação de serviços básicos de Internet, particularmente nos países em desenvolvimento. Além disso, o foco principal da iniciativa é permitir que os habitantes dessas nações emergentes consigam acessar serviços básicos presentes em boa parte dos smartphones atuais, como e-mail, mensagens de texto e redes sociais.

Zuckerberg e sua equipe já têm se mobilizado com várias operadoras de telefonia móvel e fabricantes de dispositivos móveis em todo o mundo para ajudar a conduzir o projeto. Durante sua keynote no MWC, o fundador do Facebook chegou a comentar que um dos principais problemas em levar internet para todos não está no aparelho em si, mas sim nos planos de dados oferecidos pelas prestadoras. "Nós não estamos no caminho para conectar todos a não ser que algo mude nesse sentido", afirmou.

Apesar das dificuldades, Zuckerberg citou alguns dos primeiros resultados positivos do projeto, como a parceria com a operadora Globe, nas Filipinas, e com a Tigo, no Paraguai, onde o acesso ao Facebook Messenger aumentou, respectivamente, 25% e 70% desde o início do projeto, há quatro meses. Em 2014, Zuckerberg deseja expandir o projeto junto a mais três ou quatro novas operadoras de pequeno porte para provar que o modelo de conectar mais pessoas a serviços gratuitos pode trazer benefícios aos operadores e às pessoas.

"Uma vez que as pessoas têm esses serviços de graça, começam a se interessar por outros produtos. Isso mostra a elas porque é racional e bom gastar dinheiro na internet", declarou. De acordo com o CEO do Facebook, o próximo passo é prover acesso a serviços como Wikipédia, previsão de tempo e preços de alimentos através da iniciativa – uma espécie de "190 da internet".

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