Facebook: uma empresa mobile?

Por Gabriel Tonobohn | 23 de Setembro de 2013 às 11h15
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Até poucos meses atrás, o Facebook era uma empresa perdida no mundo mobile. Apesar de assistir o número de acessos à rede em dispositivos móveis crescer cada dia mais, a empresa era bastante criticada por sua estratégia mobile, por ter apps lentos e ruins e pouca capacidade de gerar receitas com eles.

Desde janeiro deste ano, o Facebook já possui mais acessos vindos de dispositivos móveis do que no desktop. Ainda assim, naquela época, apenas 23% do faturamento da empresa vinha destes aparelhos. Mas esse cenário mudou e hoje o Facebook já pode até ser considerado uma empresa do setor mobile.

Há 18 meses, o CEO Zuckerberg não estava nada feliz com o caminho que a empresa vinha tomando. Seus apps para Android e iOS eram baseados em HTML5 ao invés de apps nativos para iOS e Android, o que ocasionava problemas de performance. De lá para cá, levou um bom tempo para que tudo entrasse nos eixos, mas os apps ganharam mais funcionalidades, como mensagens de voz e gravação de vídeos por exemplo.

O Mobile ganha força

A plataforma mobile se tornou a mais importante para o Facebook e é através dela que o próximo bilhão de pessoas no mundo irá se conectar tanto à internet quanto ao próprio Facebook (ao menos é o que Zuckerberg quer). Android, iOS e outras plataformas mobile são agora o centro das atenções da empresa, tanto para o desenvolvimento de novas funções, quanto para a geração de receita através de publicidade.

Dos 699 milhões de usuários ativos diariamente em junho, dois terços dos acessos vieram de dispositivos móveis. Os anúncios nessas plataformas, que há um ano não existiam e em janeiro representavam apenas 23% da receita, hoje já são responsáveis por uma participação maior do que 40% no faturamento total da companhia - mais de US$ 665 milhões no segundo trimestre de 2013.

Usuários desktop passam 1 a cada 7 minutos na internet dentro do Facebook. Usuários mobile passam 1 a cada 5 minutos na rede, segundo dados da rede.

Com tudo isso, é curioso observar hoje como a empresa investia pouco no mobile há apenas 18 meses. Na época, eles dedicavam apenas 20 funcionários ao time de mobile e mudanças nos apps surgiam a cada três ou seis meses. Já a versão desktop do Facebook era atualizada duas vezes por dia, segundo Cory Ondrejka, VP de engenheira móvel do Facebook.

Mudando o foco da empresa

As mudanças surgiam primeiro sempre na web e depois disso o time de mobile era responsável por encontrar uma maneira de adaptá-las aos apps. Não à toa, os apps sofriam tantos problemas de performance e estabilidade.

Desde que Zuckerberg decidiu mudar o foco, as mudanças na rede passaram a sempre ter em mente a experiência mobile. O CEO realmente visou definir o Facebook como uma empresa mobile, acima de tudo, como conta David Fischer, VP de Negócios e Marketing do Facebook.

Agora, há centenas de engenheiros trabalhando nos apps do iOS e Android e toda a empresa é responsável pelo desempenho mobile da rede. Atualizações para os apps surgem todos os meses, ao invés de a cada três ou quatro meses como antes.

Os resultados são visíveis. Muitos recursos do Facebook hoje são exclusivos da versão mobile, como as "cabeças flutuantes" que aparecem na tela do smartphone quando uma nova mensagem chega.

O que ainda falta

Claro, isso não quer dizer que tudo o que o Facebook faz para as plataformas móveis agora é ouro. Um exemplo ótimo disso é o Facebook Home. O "launcher" que a empresa lançou para o Android foi um fracasso e quase ninguém o usa. Provavelmente, será descontinuado e Zuckerberg vai fingir que ele nunca existiu. Apesar disso, a principal novidade do Facebook no ano, o Graphic Search, ainda não chegou aos apps.

De toda forma, o foco principal do Facebook agora é outro. Ainda há um longo caminho a percorrer, é verdade. Se Zuckerberg quer conectar o próximo bilhão de pessoas, como já revelou em sua nova aventura filantrópica, o Internet.org, vai precisar melhorar ainda mais a eficiência de dados do seu serviço e torná-lo mais amigável para os países emergentes.

O Facebook já possui o Facebook for Every Phone, com mais de 100 milhões de usuários ao redor do mundo, mas este precisa ser apenas o começo. É claro que o desktop não deixará de ser importante de um dia para o outro e a atenção será dividida, mas ao menos, o Facebook agora sabe a importância dos dispositivos móveis.

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