Facebook quer que produtores de conteúdo hospedem artigos na própria rede social

Por Redação | 28 de Outubro de 2014 às 10h00

Uma das promessas do Facebook para seus anunciantes e publicadores de conteúdo, com quem a empresa tem grande parceria, é a garantia de abertura rápida de páginas. Mantendo seus servidores sempre em bom estado, a rede social quer ser o principal aliado na busca por novos usuários, obtenção de cliques, engajamento e, acima de tudo, visualização de conteúdo. Agora, a companhia estaria pensando em dar um passo adiante e permitir que jornais, sites e veículos hospedem artigos em seus próprios servidores.

Essa seria a ideia do Facebook para resolver o único problema, dentro dessa cadeia citada, sobre o qual eles não têm o menor controle. Mesmo garantindo a abertura rápida de páginas e o destaque certeiro para publicações patrocinadas, essa atenção toda acaba no momento do clique, quando o usuário passa para a infraestrutura de terceiros. Aqui, sites podem estar com lentidão, fora do ar ou apresentarem problemas de design. E, acima de tudo, a plataforma de anúncio não está mais sob o domínio da rede social.

É justamente nesse último aspecto que se concentraria a nova ideia do Facebook, que estaria negociando com jornais, revistas e grandes sites da web para dividir os lucros oriundos de anúncios exibidos nos textos hospedados na própria plataforma. A iniciativa teria surgido após reuniões e conversas com grandes nomes da indústria editorial e teria como grande foco o mercado mobile, onde as conexões celulares nem sempre são rápidas e todos poderiam se beneficiar de páginas mais leves e com um carregamento mais dinâmico.

As informações foram publicadas pelo The New York Times e teriam sido obtidas com fontes ligadas às negociações. Elas vieram, claro, acompanhadas de críticas, principalmente devido ao fato de, apesar de um acordo de divisão de receitas parecer vantajoso, as empresas de mídia estarem abrindo mão de suas métricas de acesso e engajamento com os usuários. Mais do que isso, poderiam estar entregando de bandeja todo um novo rol de pessoas para os serviços de publicidade direcionada da rede social.

Falando sério

Por outro lado, a rede social apresenta números que justificariam esse movimento e, acima de tudo, afirma que a ideia leva a usabilidade em primeiro lugar. Hoje, são 1,3 bilhão de perfis na rede social, que é também a maior fonte de engajamento e cliques para os principais produtores de conteúdo digital.

É justamente por isso que o Facebook deseja deixar as coisas claras. Em declarações ao New York Times, o diretor de produto da empresa, Chris Cox, afirmou reconhecer o papel que a plataforma possui em termos de curadoria de conteúdo. Por isso mesmo, deseja assumir mais responsabilidade junto às empresas de mídia na forma como seus usuários se relacionam com o conteúdo e passam por experiências junto a eles.

O objetivo aqui, para a companhia, é melhorar tudo para todos, garantindo mais agilidade no acesso para quem quer ler algo e lucros maiores para quem vive disso. Não seria a primeira vez, também, que o Facebook faria parcerias com empresas de mídia, uma vez que ela já se uniu a jornais dos EUA e Europa para criação de aplicativos de leitura e hubs informativos sobre determinados assuntos. Essa, porém, seria a estreia de uma plataforma de notícias e informação dentro da própria rede social.

Fica a questão, porém, sobre até que ponto essa troca vale a pena. Na mesma medida em que garantiriam mais engajamento com o próprio conteúdo e até receitas maiores, os produtores também estariam abrindo mão de acessos às suas próprias plataformas. Essa seria, inclusive, a crítica feita pelo The Guardian e outros veículos envolvidos na citada empreitada inicial com o Facebook, já que o engajamento estaria acontecendo apenas dentro da própria rede, sem sair dela. O resultado estaria sendo uma canibalização do próprio tráfego, uma ideia que acabou se provando negativa no médio prazo.

Segundo Cox, tudo ainda está em seus estágios iniciais e a ideia é que a parceria, se acontecer, comece da maneira correta. O executivo, porém, não falou especificamente sobre os termos da união nem se ela realmente existe de verdade.

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