Facebook quer hospedar conteúdo de jornais e concentrar circulação de notícias

Por Redação | 24.03.2015 às 11:56
photo_camera Foto: Divulgação

Mais do que um espaço para pessoas mostrarem que as fotos da festa ficaram ótimas ou compartilharem o meme da semana, o

Facebook

se transformou em uma enorme plataforma de divulgação para veículos de comunicação. Por mais que as redações de jornais não parem por um só minuto, a notícia só ganha forma de verdade quando ela repercute na rede social. E é exatamente por isso que

Mark Zuckerberg

quer abraçar também esse tipo de conteúdo.

Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (24), a companhia esteve em contato com várias empresas de comunicação para estudar a possibilidade de trazer o material produzido por elas para a rede social. Assim, em vez de acessar site A ou B para se informar, bastaria o usuário entrar no Facebook.

Apesar da estratégia ser bastante ousada, ela faz muito sentido. As empresas de mídia estão acostumadas a ter seu leitor dentro de seu próprio ecossistema — repare como, em geral, você apenas navega dentro das páginas pertencentes a um determinado grupo —, mas a forma como o público consome informação mudou drasticamente nos últimos anos e o Facebook é realmente onde tudo se concentra. Então, hospedar os veículos dentro da própria rede ia cortar uma parte do processo, uma vez que as pessoas não precisariam sair dela para se informar. Tudo ficaria centralizado ali.

Para isso, a equipe de Zuckerberg está tendo que lidar com o receio e as apreensões dos grandes grupos de comunicação, conforme algumas fontes anônimas relataram. E o principal desafio está exatamente em apresentar uma forma convincente e funcional de monetizar o conteúdo.

Entre os primeiros parceiros estariam o BuzzFeed, a National Geographic e o New York Times. Este último, inclusive, fala que os primeiros testes deste novo formato de notícia devem aparecer mais cedo do que nós pensamos. De acordo com o jornal, devemos ver algo neste sentido já aparecendo nos próximos meses.

Ainda assim, o Facebook e os próprios veículos ainda têm muito o que negociar para chegar a um consenso. Por mais que a rede social alegue que um dos motivos para essa unificação seja diminuir o tempo de carregamento de páginas quando uma pessoa acessa uma notícia, as empresas ainda temem os impactos dessa união em sua receita, mesmo com todo o poder de alcance do serviço. Isso porque, como algumas fontes apontaram, a popularização de conteúdo em vídeo tem atraído muito mais os anunciantes do que o velho texto e isso já tem tido um reflexo não muito positivo nas redações.

Por outro lado, há também quem já esteja empolgado com os novos rumos da indústria. Vários jornalistas do britânico The Guardian se mostraram bem entusiasmados com a novidade e incentivaram os colegas de profissão a abraçar a mudança, pois, mais do que saber quem controla ou não a publicidade, isso permitira que mais pessoas tivessem acesso ao conteúdo gerado por eles.

De qualquer forma, parece que as negociações entre as partes interessadas já estão bem avançadas e é apenas uma questão de tempo para que os ajustes sejam feitos e tenhamos a transformação do Facebook no grande centro da internet no que diz respeito à informação e entretenimento.

Fonte:

The New York Times