Facebook estudou investimento no mercado mobile da China

Por Redação | 12.01.2015 às 16:35

Por muito pouco, o Facebook não entrou de cabeça no mercado mobile chinês ao lado da Xiaomi na fabricação de smartphones para o país. Pelo menos, é isso que afirmam algumas contas ligadas às duas empresas em uma reportagem publicada nesta segunda-feira (12) pela agência Reuters, que relata encontros entre os CEOs Mark Zuckerberg e Lei Jun em outubro do ano passado, durante uma visita do fundador da rede social a Pequim.

A conversa fez parte de uma grande rodada de investimentos realizada pela Xiaomi, que recebeu um aporte de US$ 1,1 bilhão de diversas companhias globais para intensificar suas operações na China. Zuckerberg, porém, tinha outros planos e estaria disposto a não apenas investir, como também comprar uma parte da fabricante para que pudesse entrar com mais propriedade no setor asiático de smartphones.

Questões políticas, principalmente, teriam entrado como obstáculos para o sucesso das negociações. Apesar de se tornar cada vez mais forte como centro de fabricação de produtos para empresas americanas, a China ainda tem graves questões políticas e econômicas a serem negociadas com os EUA. O Facebook, por exemplo, é proibido no país, e esse foi um dos grandes empecilhos para que a parceria entre as empresas fosse adiante.

Além disso, existiram temores entre os executivos da Xiami sobre os efeitos de uma união com o Facebook sobre a atual parceria com o Google. A empresa é fornecedora do Android, sistema operacional que está instalado em todos os modelos da fabricante, e trabalha lado a lado com ela em soluções voltadas especificamente para o mercado asiático.

De acordo com as informações não confirmadas, o contato entre os CEOs já viria de antes do encontro de outubro, com ligações telefônicas e conversas por meio de representantes acontecendo desde meados de 2014. As empresas, porém, não confirmaram oficialmente qualquer tipo de negociação.

Expansão que começa pela Ásia

Não é novidade que um dos grandes projetos atuais do Facebook é a democratização da internet ao redor do mundo, no ritmo de sua própria plataforma, é claro. E nesse ensejo, a China se torna um território que merece cada vez mais atenção por parte de Zuckerberg, que já há algum tempo vem estudando parcerias e acordos estratégicos para tentar acabar com o bloqueio governamental de sua rede social no país.

O executivo vem fazendo isso por meio de visitas bem-calculadas à Ásia, onde realiza palestras em universidades e se encontra com empresas do setor. Para ele, ajuda também o fato de sua esposa ter descendência chinesa e, assim, ajudá-lo nas visitas. Ele mesmo fala mandarim fluentemente e é capaz de se comunicar sem a necessidade de intérpretes.

Por isso mesmo, o acordo com a Xiaomi não teria sido deixado de lado, e sim, adiado temporariamente até que uma melhor situação política se configure. A própria fabricante, inclusive, teria grande interesse na negociação, devido à grande quantidade de dados de usuários e expertise que o Facebook pode dar a ela, facilitando, inclusive, uma incursão de seus aparelhos fora do território asiático.

É dessa maneira que, acreditam analistas, o banimento da rede social pode chegar ao fim. Como cita a Reuters, Lu Wei, um dos principais políticos responsáveis pelo controle da informação na China, afirmou que a presença de uma rede social estrangeira no país pode ser uma força “desestabilizadora” para a nação. Por outro lado, ele já visitou pessoalmente os escritórios da empresa nos EUA, no que pode ser uma indicação de que a relação entre os países está se estreitando.