Ex-funcionário do Facebook revela que experimentos são conduzidos a todo momento

Por Redação | 08 de Julho de 2014 às 14h35

Há pouco mais de uma semana explodiu uma bomba que reacendeu a luz de alerta nos mais preocupados com privacidade e segurança online: o Facebook manipulou o feed de notícias de mais de 600 mil usuários para conduzir um experimento psicológico. A notícia veio à tona quando o Wall Street Journal descobriu que a pesquisa havia sido publicada na Proceedings em março deste ano e foi suficiente para que muitos voltassem a se preocupar sobre como a rede social utiliza os dados de seus usuários.

Apesar da chefe de operações Sheryl Sandberg ter vindo a público para se desculpar e dizer que tudo não passou de um mal entendido, o estrago já havia sido feito. Agora a coisa só tende a se agravar, pois um ex-cientista de dados da companhia soltou o verbo e afirmou que todos são alvo de experimentos em algum momento no Facebook.

A declaração foi feita por Andrew Ledvina ao Wall Street Journal. Na oportunidade, ele afirmou que trabalhou na companhia de 2012 a 2014 e que em nenhum momento houve qualquer espécie de comitê ou responsável que regulamentasse e ditasse os rumos do experimento que manipulou o feed de notícias dos usuários. Segundo ele, tudo era escrachado e os testes poderiam ser conduzidos quando ele e sua equipe quisessem e por quanto tempo achassem que fosse necessário.

"Enquanto estive no Facebook, não houve nenhum quadro institucional para regulamentar e impor limites à forma que o experimento era conduzido", escreveu Ledvina na publicação "10 Ways Facebook Is Actually the Devil" (ou "10 Indícios de que o Facebook é de fato o Capeta", numa tradução livre) em seu blog.

Como se não fosse suficiente, o cientista também confirmou que tudo era conduzido sob panos quentes e que todos os envolvidos eram encorajados e não sentirem "pena" das "cobaias sociais".

"Todos os cientistas com quem tive o prazer de trabalhar no Facebook são extremamente apaixonados pelo que fazem e realmente estão comprometidos em fazer com que a experiência dos usuários no site seja a melhor possível", disse Ledvina antes de revelar que isso acontece com frequência e que muitas vezes eles precisam "magoar algumas pessoas" para alcançar tal objetivo. "Você precisa machucar uma pequena porção de pessoas para favorecer outras 1 bilhão (...). É bem fácil sermos insensíveis quando há tão pouca gente envolvida no processo", completou o cientista sobre o assunto.

Assustado com a proporção que a notícia sobre o experimento com mais de 600 mil usuários do site tomou, ele tentou acalmar todos, mas acabou colocando mais lenha na fogueira. "Esses experimentos podem ser conduzidos a qualquer momento e todos podem ser cobaias deles em algum momento", disse Ledvina.

Apesar disso, o cientista garantiu que nem todos os experimentos têm tanta ambição quanto o último que fez a bomba eclodir há uma semana. "Alguns são sobre mensagens de marketing, botões de ação ou até mesmo novos algoritmos de ordenação de notícias na linha do tempo".

As revelações do ex-contratado por Mark Zuckerberg não são nada agradáveis e de fato revelam que existe algo muito maior por trás disso tudo. Mesmo que ele afirme em seu blog que nenhum pesquisador interferiu na "experiência natural" dos usuários na rede social, é fato que os afetados foram influenciados de uma maneira negativa e tiveram seu comportamento e reações monitorados depois disso.

No fim das contas, a "maneira transparente" do Facebook conduzir testes com seus usuários pode causar muito mais danos do que a invasão de privacidade e exposição dos dados dos cadastrados na Internet. Aonde tudo isso vai dar, ainda não se sabe ao certo. Então só nos resta esperar para ver para onde os desdobramentos deste caso nos levará.

Leia mais sobre o Facebook:

Fonte: http://www.forbes.com/sites/kashmirhill/2014/07/07/ex-facebook-data-scientist-every-facebook-user-is-part-of-an-experiment-at-some-point/

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.