Curtir tudo o que aparece no seu Facebook é uma ideia arriscada e perigosa

Por Redação | 12 de Agosto de 2014 às 10h15

Lembra daquele experimento que o Facebook realizou em janeiro de 2012 e que só veio a público agora em 2014? A empresa manipulou a timeline de quase 700 mil usuários para descobrir (e de certa forma controlar) as emoções às quais os internautas eram mais expostos durante a utilização da rede social. Esse não deve ter sido o primeiro, nem o último teste conduzido pela companhia, mas até que ponto a plataforma comandada por Mark Zuckerberg é capaz de influenciar no nosso comportamento?

Para descobrir uma resposta, o jornalista Mat Honan, da revista Wired, conduziu por contra própria um experimento interessante e para lá de bizarro: durante dois dias seguidos, ele curtiu tudo o que aparecia em sua linha do tempo do Facebook, mesmo se odiasse o conteúdo exibido. Depois de 48 horas, o resultado não apenas bagunçou ainda mais o feed de notícias do repórter, como também o deixou chocado após notar como a rede social é capaz de adaptar a timeline com base naquilo que o usuário gosta.

Tudo o que você visualiza na sua linha do tempo não aparece por acaso. O Facebook utiliza um poderoso sistema de algoritmos que aprende seus gostos pessoais de acordo com as coisas que você curte dentro e fora da rede social. Por exemplo, se você adora ler notícias de tecnologia e tem o costume de visitar os principais sites e fan pages sobre o assunto, o Facebook então entende que esse tema é importante e o prioriza na sua timeline. Algo semelhante acontece quando você acessa um anúncio em sites que possuem integração com a plataforma: por mais que você não compre aquele item, ele é exibido no seu feed logo quando você acessa sua conta no Facebook.

O objetivo da rede social com esse mecanismo é justamente oferecer apenas conteúdos que realmente interessam ao usuário, uma vez que a própria timeline é uma verdadeira bagunça de notícias, imagens, vídeos e propagandas de coisas que não chamam sua atenção. A estratégia, obviamente, beneficia em especial as empresas e anunciantes, que agora contam com o Facebook como aliado para definir exatamente o que os consumidores estão procurando naquele instante.

Independentemente das coisas que você curte ou deixa de curtir, o tal algoritmo está lá, filtrando tudo. Depois de curtir inúmeros posts por uma hora – com exceção de um sobre a morte do parente de um de seus amigos -, Honan viu sua timeline mudar drasticamente. O repórter notou que quase todos os conteúdos que apareciam no feed eram de coisas que ele não havia curtido ou que não tinha muito significado para ele. O pior foi reparar que não aparecia mais nenhuma postagem de pessoas reais, apenas posts de alguma marca ou veículo de comunicação.

"[O Facebook] Tornou-se espaço apenas de marcas e mensagens, em vez de seres humanos e mensagens. Quando fui me deitar na primeira noite, chequei o Feed de Notícias e as atualizações que encontrei foram (em ordem): Huffington Post, Upworthy, Huffington Post, Upworthy, um anúncio da Levi’s, Space.com, Huffington Post, Upworthy, The Verge, Huffington Post, Space.com, Upworthy, Space.com", comentou o jornalista. Ele disse que essa característica ficou em maior evidência ao usar o Facebook pelo celular.

Um outro detalhe do experimento de Honan é como a rede social faz uma separação extremista de mensagens com cunho político – não existe meio termo: ou é de direita ou de esquerda. Pouco antes de dormir, ao fim do primeiro dia do teste, ele curtiu uma postagem a favor da ação de Israel na Faixa de Gaza. Na manhã seguinte, o feed de notícias de Honan havia adotado um sistema de extrema direita, poluído com páginas conservadoras, como o site The Conservative Tribune.

Honan aguentou fazer essa experiência toda apenas por 48 horas. Primeiro porque sua timeline ficou ainda mais bagunçada; segundo porque os amigos dele reclamaram que até 70% das coisas que apareciam no feed de notícias deles eram de coisas curtidas pelo próprio Honan. "Tentei contar a quantidade de coisas que eu curti, mas eram muitas. Tinha adicionado mais de mil novas páginas nos meus gostos pessoais, e a maioria eram fan pages sem muito sentido. Após curtir tudo o que via, transformei o Facebook num lugar no qual não havia nada que eu realmente gostasse", concluiu o jornalista.

Talvez o fato mais atenuante desse experimento é saber como o algoritmo do Facebook nos coloca dentro de uma bolha cheia de assuntos, interesses e notícias que, na maioria das vezes, não acrescentam nada no nosso dia a dia. Por isso, é melhor você pensar duas vezes antes de apertar o botão "curtir" na sua linha do tempo.

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