Consumo de informação mudou com ascensão do Facebook

Por Redação | 29 de Outubro de 2014 às 16h31
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O Facebook, para o bem ou para o mal, tem influenciado cada dia mais a forma como nos informamos a respeito de variados temas e, consequentemente, a maneira como enxergamos o mundo. Talvez você não saiba, mas Greg Marra, um engenheiro do Facebook, está diretamente ligado ao que você vê na rede social.

Marra é o responsável pela equipe que projeta o código que seleciona quais conteúdos vão aparecer na sua linha do tempo, desde atualizações, fotos, vídeos, até notícias. Com tal “poder” em mãos, ele tem se tornado uma das pessoas mais influentes quando o assunto é o mercado de notícias, informa um artigo do New York Times.

Atualmente o Facebook está com aproximadamente 1,2 bilhão de usuários, encaminhando para os sites de notícias 20% do seu público, segundo uma pesquisa da SimpleReach, que destaca ainda que nos dispositivos móveis, com uso crescente, essa proporção é ainda maior e está aumentando.

Com este grande poder de influência sobre o que o usuário irá ver na rede social, o Facebook tem sido responsável mais diretamente pelo sucesso ou fracasso de empresas de notícia, sendo que nos Estados Unidos, 30% dos adultos se informam por meio do Facebook, aponta um estudo do Centro de Pesquisa Pew. Mesmo que Twitter e Google News tenham um funcionamento semelhante, foi o Facebook que esteve na vanguarda desta nova forma de consumir conteúdos noticiosos e utilizando sequências lógicas, escolhendo aquilo que usuário teria mais interesse em ler. Mesmo a home dos portais de notícia perdeu a importância neste cenário, onde as mídias sociais ditam aos seus “clientes” aquilo que seria mais interessante ao perfil deles.

Um dos veículos que compreenderam este movimento e estão na vanguarda do pensamento de um novo tipo de jornalismo é o Washington Post. Para Cory Haik, editora sênior de notícias digitais do jornal, a novidade representa a “desagregação do jornalismo”, fazendo uma comparação com a indústria musical após a tecnologia fazer grandes mudanças na forma como consumimos música atualmente, sendo que a informação não chega mais ao interessado em um jornal, por exemplo, com um conjunto de informações, mas fragmentadamente, com ele buscando apenas aquilo que lhe interessa ler, assistir ou ouvir.

Com este potencial para “selecionar” o que o usuário vai receber de informação, um questionamento pode ser a capacidade de uma máquina realizar a função de um editor de notícias. Marra afirma que este não é o objetivo da equipe. Segundo ele, a rede social não busca influenciar o conteúdo editorial que o usuário visualiza, mas este é um reflexo das escolhas da própria pessoa por meio de seus contatos e das páginas que segue e é por meio deste material ao qual você espontaneamente se conecta que o Facebook filtra o que você está interessado em ver.

Segundo Marra, uma vez por semana ele e uma equipe de 16 pessoas ajustam o código que decide o que mostrar ao usuário na sua linha do tempo e essas preferências se alteram muito de acordo com diversos fatores, como dispositivo no qual está conectado, horário, interações, entre outras coisas. Neste caso, o que é decidido pela equipe do Facebook pode ter várias influências como, por exemplo se eles derem mais destaque para determinada editoria ou retirar determinado tipo de conteúdo das preferências dos usuários. Foi após uma alteração no código em fevereiro passado que sites como Upworthy e Distractify perderam grande parte do seu fluxo de internautas, para ser possível entender como essas mudanças podem ser relevantes.

Algumas empresas jornalísticas já se reuniram com funcionários do Facebook para entender como melhorar seu desempenho na rede social. Para a empresa, os dois lados ganham quando o site de notícia promove seu conteúdo: o usuário, com uma informação melhor, e o site, com aumento do tráfego. Mas além do que acontece dentro da rede social, é preciso inovar para se manter na dianteira. O Post, por exemplo, está criando conteúdos específicos de acordo com o perfil do seu leitor, conta Haik. Para ela, leitores em situações diferentes, como alguém que acessa a informação durante o dia e alguém lendo a mesma informação em casa à noite buscam por formas diferentes de conhecer uma mesma história.

Para Marra, o engenheiro do Facebook, seria mais interessante que cada pessoa pudesse ter um editor digital individual do seu conteúdo, mas como não é possível tais proporções, ele reafirma a necessidade de sistemas híbridos como o do feed de notícias para que os usuários estejam mais próximos do conteúdo que desejam, classificando isso como “um jornal personalizado”.

Fonte: http://www.nytimes.com/2014/10/27/business/media/how-facebook-is-changing-the-way-its-users-consume-journalism.html?ref=technology

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