Anúncios de páginas do Facebook tornam-se bom negócio para 'fazendas de cliques'

Por Redação | 12.02.2014 às 10:55

O sistema de anúncios de páginas do Facebook deveria gerar engajamento e conhecimento de marca, aumentando o número de curtidas e gerando público interessado pelas empresas. O que vem sendo observado, porém, é exatamente o inverso. Pelo menos é isso que mostra o blogueiro australiano Derek Muller, que administra o podcast científico Veritasium.

Em um de seus vídeos recentes, ele mostra que a importância cada vez maior das páginas de empresas no Facebook criou um negócio paralelo, que ele chamou de “fazendas de cliques”. Empresas localizadas no Egito, Índia, Filipinas, Paquistão e outros países emergentes possuem exércitos de pessoas contratadas especialmente para gerarem movimento e likes em páginas, utilizando perfis falsos para isso.

De acordo com Muller, esses “profissionais das curtidas” são contratados por empresas interessadas em aumentar artificialmente a penetração de suas páginas. Só que essa é uma prática proibida pelo Facebook, passível de bloqueio para as contas dos responsáveis. É aí que entra o problema, já que os responsáveis maquiam a prática dando likes em qualquer marca que veem pela frente. E, claro, as que mais aparecem são aquelas cujos proprietários contrataram a publicidade paga da rede social.

O resultado é um aumento significativo no número de curtidas, mas que não necessariamente se reflete em engajamento e interesse pela marca. Na visão do blogueiro, apesar de continuar agindo de acordo com as próprias regras e banindo usuários suspeitos de realizar a prática, a rede social faz vista grossa para casos como esse, mais difíceis de se detectar mas capazes de causar grandes danos a empresas incautas.

Likes falsos no Facebook

Para demonstrar o efeito desse problema, Muller fez um anúncio próprio no Facebook a partir de uma página recém-criada por ele. O resultado está exibido no gráfico acima, com os círculos azuis representando os países que mais originaram curtidas. Na ordem, de baixo para cima, são nações que contam com reconhecidas fazendas de cliques: Egito, Índia, Filipinas, Paquistão, Bangladesh, Indonésia, Nepal e Sri Lanka.

Muller conta que, apesar de ter visto crescimento significativo no número de curtidas, o engajamento não cresceu nem perto da mesma medida. Pelo contrário, o volume de novos seguidores tornou mais difícil que os interessados realmente tivessem acesso aos conteúdos postados e isso se deve às próprias políticas do Facebook, que libera as postagens a pequenos grupos de usuários e as vai expandindo de acordo com o sucesso.

O resultado, no final das contas, é o mesmo que seria obtido caso Muller tivesse realmente pagado por uma fazenda de curtidas: números artificiais de seguidores e muito pouco engajamento. Um problema sério para anunciantes, principalmente de empresas pequenas, que podem ver nos baixos valores de propaganda no Facebook uma alternativa interessante para aumentar seu negócio.

Em nota oficial enviada ao jornal The Washington Post, o Facebook afirma estar focado para acabar com as curtidas falsas e lembrou que todos os resultados positivos obtidos pelo sistema de anúncios não seriam possíveis caso a empresa contasse com um grande volume de spammers. A companhia afirmou que os esforços para coibir essa prática são contínuos.

Além disso, o Facebook criticou o método utilizado por Muller para obter o resultado esperado. A rede social afirma que o blogueiro criou uma página de baixa qualidade e com foco de interesse genérico – gatos –, obtendo 150 seguidores em troca de US$ 10 em propagandas. Para a empresa, a nacionalidade dos novos seguidores e a pouca precisão do conteúdo postado não indicam que as novas curtidas são falsas.