A reinvenção de Mark Zuckerberg – a mudança do EdgeRank do Facebook

Por Colaborador externo | 16.06.2014 às 06:30

*Por Vitor Elman

Imagine-se entrando em uma festa cheia de amigos. Você encontra pessoas de vários tipos, os amigos mais chegados, os que você não vê há um tempo e as pessoas que você nunca viu na vida. Agora, imagine essas pessoas estranhas se aproximando compulsivamente para tentar puxar papo, enquanto você está se divertindo com os mais chegados e lembrando coisas engraçadas com os que você não vê há um tempo. Fica chato não é? Cria uma situação tão desconfortável que o jeito é ir embora da festa. Isso é o Facebook: mas ele não quer que você faça isso, vá embora da festa que ele montou com seus amigos.

O recente anúncio da mudança do algoritmo do Facebook (chamado de EdgeRank) e a queda do alcance orgânico das páginas não são nada alarmantes. É apenas um marco de um fenômeno que já acontecia. Atualmente, aumenta-se o número de pessoas no Facebook, com cada vez mais amigos, sem contar a presença das marcas que apostam na rede, gerando um volume gigante de informação. É natural que você já não consiga mais ver tudo sobre todos que segue na rede.Vale lembrar que o EdgeRank analisa as publicações diárias e seleciona o conteúdo que vai entrar ou não para o usuário, levando em consideração afinidade, tempo e relevância.

De acordo com o eMarketer, a média mundial do alcance orgânico dos posts variou de 16% em fevereiro de 2012 a 6,5% em março de 2014, e continua caindo. Agora, se você não trabalha com marketing, pode pular para o próximo parágrafo. Se você trabalha com Marketing, você precisa mudar seus conceitos de estratégia para o Facebook. Não se preocupe apenas com número de fãs. Concentre-se mais no alcance da sua mensagem. Isso é o resultado de um trabalho conjunto de mídia e conteúdo. Use segmentação para atingir seu público, seja ele seu fã ou não. Continue produzindo conteúdo com a mesma frequência que trabalhava, de acordo com o engajamento do seu público-alvo e com o seu tipo de produto.

Outra dica é: ao invés de investir de maneira concentrada, opte por dividir seu investimento em mídia para promover esses posts de uma maneira constante. Assim, você continua a conversa, atingindo seu público e gerando engajamento, identificação, recomendação e conversão em vendas. Assim, a sua estratégia de Facebook será, a partir de agora, apoiada diretamente ao seu investimento de mídia como em qualquer veículo. A vantagem? Você vai atingir pessoas que já se relacionam com sua marca, que espalham para suas redes de amigos sua mensagem, interagem e que dão feedback em real time sobre o sucesso da sua campanha.

Se você é um usuário do Facebook, essa mudança é essencial para que você consiga utilizar e consumir toda a informação da rede. Faça um teste, vá até suas configurações e tire esse filtro. Veja a quantidade de informação que aparece. Uma lista sem fim que não para de se atualizar e torna impossível o consumo dessa informação. O novo algoritmo filtra amigos e páginas que você mais se relaciona. É uma mudança totalmente necessária para que a rede continue interessante e a navegação prazerosa.

O Facebook no Brasil é o terceiro canal com mais usuários e o primeiro em tempo de uso. Ou seja, o brasileiro continua passando parte do seu dia na rede. Além disso, novos investimentos da ferramenta em sua plataforma de vídeo ainda estão por vir, o acesso mobile cresce vertiginosamente e, para quem diz que o Facebook vai acabar eu tenho que discordar, a rede vai mudar sim, se adaptar, e ao que tudo indica, essa parece ser a cultura da empresa. Ao se reinventar, o Facebook continuará a festa ainda por bastante tempo. Então, pegue sua bebida, arranje um espaço para dançar, conversar e se divertir com seus amigos.

*Vitor Elman é diretor de criação da agência Cappuccino Digital especializada em comunicação digital.