82% dos perfis do Twitter mais influentes sobre COVID-19 são bots, aponta estudo

Por Wagner Wakka | 22 de Maio de 2020 às 12h15
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Um novo estudo da Carnegie Mellon University em andamento descobriu que grande parte dos retuítes relacionados ao novo coronavírus são feitos por bots. O time de pesquisadores acompanhou mais de 200 milhões de post no Twitter desde janeiro os quais tivessem menção aos termos "novo coronavírus" e "COVID-19".

Segundo os pesquisadores, 82% dos 50 perfis mais influentes têm comportamento de bots — os robôs digitais que postam conteúdo automático. Ainda, nos mil mais influentes, este número é de 62%. “O que temos visto é duas vezes mais atividades de bots do que havíamos previsto com base em outros cenários de desastres naturais, crises e eleições", explica Kathleen Carley, professora da Escola de Ciência da Computação do Instituto de Pesquisas em Software da universidade.

De acordo com o levantamento, a pandemia ter alcance global colabora para que pessoas se engajem mais sobre o tema. Ainda, o trabalho ressalta que houve crescimento de contratação de serviços de bot durante o período.

Para identificar se um perfil é um bot ou não, o time está usando inteligência artificial. O sistema monitora não só a forma como a publicação é divulgada, como também a frequência de publicação, números de seguidores e quais são outros perfis que mencionam a conta na rede social. Alguns indicativos, segundo Carley, são quando a conta publica mais do que uma pessoa comum seria capaz, bem como quando há mudança de região do perfil em questão de horas.

O estudo identificou mais de 100 tipos diferentes de narrativas falsas sobre a COVID-19. Por exemplo, algumas que prometem curas ou estimulam o fim de isolamento social. “Quando há uma série de tweets simultâneos de um mesmo tema ou de tempo em tempo, provavelmente é orquestrada. Também procuramos pelo uso da mesma hashtag ou mensagens que pareçam ser copiadas e coladas de um bot para outro”, aponta a pesquisadora.

Quem está por trás da criação desses bots?

Até o momento, com o trabalho em execução, o grupo ainda não conseguiu identificar a fonte da criação dos bots. Assim, não consegue precisar quem poderia estar por trás dessas práticas. “O que sabemos é que parece máquina de propaganda e que definitivamente combina com modos de agir de russos e chineses, mas essa confirmação demandaria uma quantidade tremenda de fontes”, posiciona Carley.

Para os pesquisadores, neste caso, medidas individuais de combate para as contas não são tão eficazes. O bloqueio pode até atrasar a difusão, mas, devido à agilidade de criação de novos bots, a campanha volta ao ar rapidamente. Carley, contudo, aponta para práticas individuais que as pessoas podem tomar para identificar um bot e denunciar ao Twitter, a exemplo de perfis com fotos genéricas e nomes recheados de letras e números desconexos.

O que diz o Twitter?  

Em resposta ao Canaltech, o Twitter explica que os perfis que o estudo aponta como bots podem não sinalizar exatamente uma conta com comportamento automático, principalmente quando são identificados apenas pelo nome com números e caracteres diferentes de letras:

"As pessoas muitas vezes se referem a bots (ou robôs) de maneira um tanto generalizada, para descrever desde contas com atividades automatizadas até indivíduos que por algum motivo não têm foto de perfil ou não utilizam seus nomes reais no Twitter, por exemplo. O termo também é comumente usado para classificar contas cujos nomes são uma combinação entre letras e sequências numéricas, combinações essas que são geradas automaticamente como sugestão quando uma conta é criada, uma vez que não é possível haver duas @s iguais na plataforma". 

Ainda, a companhia alerta que é preciso separar os processos automatizados por bots que são nocivos daqueles usados apenas para agilizar processos:

"O mais importante do trabalho que temos feito é o olhar holístico para o comportamento de uma conta, e não apenas para se aquilo trata-se ou não de uma automação (lembrando que nem todas as formas de automação são nocivas ou violam as Regras do Twitter - pelo contrário, há muitas automações que melhoram a experiência das pessoas na plataforma, como as relacionadas a serviços de atendimento ao consumidor ou envio de alertas meteorológicos, por exemplo). Nosso foco é em combater tentativas de manipulação da conversa pública no Twitter".

Desde 18 de março até o último dia 11 de maio, a companhia já identificou 4,3 milhões de contas com discussões sobre COVID-19 com comportamento potencialmente manipulador ou semelhante a spam. Tais perfis precisaram passar por comprovação de que são controlados por pessoas reais.

"O Twitter trabalha globalmente, proativamente e em escala para fazer frente a essas tentativas de manipulação das conversas, e esse esforço também tem sido empregado no debate em torno de Covid-19. Não só nos baseamos em denúncias de usuários, mas também investimos cada vez mais em tecnologia para detectar proativamente comportamentos suspeitos. Contas denunciadas ou identificadas via tecnologia são submetidas ao que chamamos de desafio - confirmação de um e-mail ou telefone, por exemplo, para provar que existe uma pessoa por trás daquela conta - e, se for constatado que trata-se de uma automação indevida, tomamos as medidas cabíveis".

Fonte: CMU

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