20% das discussões políticas do Twitter são iniciadas por bots, diz estudo

Por Redação | 24 de Agosto de 2017 às 10h21

Da próxima vez que você brigar por conta de política no Twitter, pense que pode estar se estressando por alguém que pode nem mesmo existir de verdade. De acordo com dados de uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, cerca de 20% das discussões sobre o assunto que surgem na rede social são motivadas ou contam com a participação de bots, sistemas automatizados para gerar justamente esse efeito.

Os números foram avaliados desde as eleições presidenciais de 2014, quando, também, foi detectado o maior número de utilização deste recurso. De acordo com o estudo da FGV, os três principais candidatos – Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (que concorreu pelo PSB e agora é do Rede) – usaram esse tipo de artifício em suas campanhas.

O mesmo aconteceu durante as discussões sobre o impeachment da presidenta, em 2016, também pelos dois lados dessa moeda. Por fim, discussões automatizadas também foram detectadas nas eleições para a prefeitura de São Paulo, no ano passado, com bots sendo utilizados pelos comitês de João Dória (PSDB), Fernando Haddad (PT) e Celso Russomanno (PRB).

Na visão do instituto, em todos os casos, o objetivo era comum: propagar notícias falsas e gerar desinformação entre os usuários de internet, dando origem a discussões inflamadas entre eleitores de cada um dos candidatos, que levavam as informações mentirosas para a frente. Segundo os pesquisadores, uma verdadeira ameaça para o debate e a democracia.

Por outro lado, os dados também apontam que tais perfis, não necessariamente, são controlados e gerenciados pela equipe dos próprios candidatos. Muitos, inclusive, são operados de fora do país e há de se levar em conta, também, a participação de partidários não necessariamente ligados à campanha, mas que são fortes apoiadores dela e podem ver na desinformação uma tática para aumentar o total de votos.

O estudo da FGV analisou 2,1 mil contas consideradas suspeitas – algumas eram totalmente automatizadas, enquanto outras apresentavam um comportamento misto, sendo atualizadas também por usuários reais. O conteúdo das mensagens, em si, não foi avaliado, apenas sua utilização e o engajamento com outros utilizadores do Twitter.

Além disso, a instituição aponta uma perspectiva que pode ser perigosa: esse método deve crescer cada vez mais. Estamos nos aproximando de mais uma eleição presidencial, em 2018, com as redes sociais tendo importância maior do que nunca. A FGV espera um “tsunami de robôs” durante o período de campanha e pede atenção dos órgãos públicos para essa proliferação.

Fonte: Folha de S.Paulo

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