Startup cearense Cosmic cria serviço de streaming para histórias em quadrinhos

Por Rafael Romer | 07 de Julho de 2015 às 08h35

Serviços como Netflix e Spotify não deixam mais dúvidas que o modelo de streaming é uma das principais alternativas para distribuição de conteúdo online atualmente. Cortando o intermediário da produção e logística por trás da distribuição da mídia física, essas empresas mostraram como consumidores podem estar dispostos a pagar por conteúdo sob demanda para ter a comodidade de acessá-los como, quando e onde quiserem.

E uma startup cearense está apostando que esse modelo pode ser a resposta para alavancar o mercado brasileiro de histórias em quadrinhos (HQs). Pronta para estrear em novembro deste ano, a Cosmic é resultado do trabalho de cinco sócios-fundadores de Fortaleza (CE), que aproveitaram o atual boom de artistas produzindo novas HQs nacionais para desenvolver uma plataforma onde autores e editoras poderão disponibilizar o seu conteúdo.

"Desde a década de 90 o HQ impresso tenta dar uns saltos e engasga. A impressão é cara, os pontos de venda ficam com até 50% do preço de capa de uma obra e a distribuição com mais um pedaço. Acaba que o dinheiro que o quadrinho movimenta fica quase nada para os autores e editoras", contou ao Canaltech o quadrinista e CEO da Cosmic, Ramon Cavalcante. "Por mais que a gente esteja tendo um volume de obras maior e com melhor qualidade e os autores conseguindo se financiar com financiamento coletivo, mesmo assim esse gargalo continua o mesmo. Nós perdemos boa parte da energia dedicada aos quadrinhos".

O site seguirá um modelo semelhante a outros serviços de streaming: por uma assinatura mensal de R$15,90, o usuário terá acesso a todos os títulos da plataforma, que poderão ser lidos no computador, smartphone ou até em tablets.

No modelo de negócio da Cosmic, 70% do valor da assinatura de cada usuário será distribuída para os autores mais lidos por aquela pessoa. A expectativa da plataforma é de estrear com ao menos 50 títulos, que deverão ser expandidos semanalmente. Também haverá uma sessão "experimental" dentro do serviço, com uma curadoria "mais tranquila" para quadrinistas independentes que estejam começando. No período de um ano, os fundadores esperam ter ao menos 10 mil assinantes no site.

Mesmo a cinco meses do lançamento, os fundadores da Cosmic já têm planos ambiciosos para a plataforma. A ideia é que o serviço funcione como uma espécie de "termômetro" para orientar o custo alto das HQs impressas: na plataforma, editoras e autores poderiam ter uma prévia da repercussão de seus títulos antes de publicá-los em formato impresso.

"Em uma plataforma como a Cosmic, a editora pode publicar suas obras, ver a repercussão, quanto dinheiro movimentam e lançar em impresso só as que fizerem mais sucesso", explica Cavalcante. "Assim elas podem ficar mais tempo desempenhando o papel que é mais interessante para as editoras: achar gente massa, editar material com qualidade, criar selos e movimentar a produção".

O primeiro passo da empresa deverá ser dado já neste mês, com o lançamento de um leitor gratuito para a leitura de HQs para Windows e Mac OS. Com a plataforma, os usuários salvam e leem quadrinhos já baixados em seu computador e os organiza em uma biblioteca própria - de maneira semelhante ao iTunes, da Apple.

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