Seis histórias do universo mutante para ler antes de 'X-Men: Apocalipse'

Por Gustavo Rodrigues | 14 de Maio de 2016 às 10h12

X-Men: Apocalipse chega aos cinemas brasileiros em 19 de maio. Para entrar no ritmo de estreia da nova adaptação da 20th Century Fox, fizemos uma lista com seis histórias importantes que envolvem o universo mutante. Entre os períodos escolhidos, há formações clássicas da equipe, realidade paralela, sagas aclamadas e En Sabah Nur, o homo superior egípcio que intitula a nova produção das telonas.

Giant-Size X-Men #1

Mesmo que Stan Lee e Jack Kirby tenham sido os criadores dos X-Men, não foi pelas mãos deles que a equipe mutante tornou-se realmente um sucesso para a Marvel Comics. As publicações não foram tão bem recebidas pelo público e não tiveram novas histórias publicadas depois de março de 1970. Após isso, apenas republicações faziam parte do conteúdo dos gibis dos mutantes.

Entretanto, em maio de 1975 tudo mudaria com o lançamento de Giant-Size X-Men 1. Com os quadrinistas Len Wein e Dave Cockrum, a edição mudava drasticamente a formação da equipe. Fera, Anjo, Homem de Gelo e Jean Grey foram capturados pela Ilha Krakoa, por isso o Professor Xavier precisa de uma nova formação de X-Men para resgatá-los. Com Ciclope na liderança, o único membro fundador que escapou da Ilha Viva, Banshee, Solaris, Wolverine, Pássaro Trovejante, Noturno, Colossus e Tempestade adentram o time de Charles Xavier.

Nenhuma equipe dos X-Men é mais icônica do que essa, nem mesmo as formações dourada e azul dos anos 90. Ela acrescentava a essência dramática que as histórias precisavam por ter personagens completamente diferentes. Nenhum dos x-man tinha a mesma origem, todos possuíam problemas pessoais e nem mesmo os uniformes eram únicos, destoando totalmente do que havia com a formação anterior. Este período traz Chris Claremont aos roteiros, quadrinista que mais escreveria os títulos mutantes (1975 a 1991). Ele foi responsável por vários momentos icônicos, sagas emblemáticas e a criação de heróis como Vampira, Gambit, Psylocke, Kitty Pryde e Jubileu.

A Saga da Fênix Negra

A Saga da Fênix Negra já foi adaptada para o cinema em X-Men 3: O Confronto Final e nas animações dos mutantes. Além de ser uma das possíveis tramas que a Fox adoraria levar aos cinemas novamente, segundo o produtor executivo Simon Kinberg. Entretanto, nenhuma tentativa de recriar a obra original foi capaz de dar a grandiosidade necessária à história.

A trama tem como grande destaque Jean Grey sob os poderes cósmicos da Fênix. A mutante volta do que seria considerado a morte dela em uma viagem espacial com suas habilidades em níveis muito superiores. Ao ser manipulada pelo Mestre Mental, a telepata perde o controle e fica com sua personalidade totalmente deturpada pela insanidade. A ruiva deixa um caminho de devastação pelo espaço, fazendo com que os X-Men e os alienígenas Shi'ar precisem impedir que a ex-Garota Marvel acabe com mais vidas inocentes.

Dificilmente, outra saga dos X-Men seja tão respeitada quanto à Saga da Fênix Negra. Ela levava uma das x-man favoritas do público a um patamar de poder e insanidade incontrolável, fazendo com que a contenção dela fosse uma das opções para seus próprios colegas de equipe. A Fênix se estabeleceria como um elemento que voltaria a dar às caras várias vezes pelo Universo Marvel no futuro e ainda acabaria com a união de um dos casais mais importantes da editora.

Era do Apocalipse

Os anos 90 passam longe de ser um primor para os quadrinhos, entretanto, a década ainda foi um sucesso de venda para os títulos dos X-Men. Além de ser um período muito próximo com o que a animação clássica dos X-Men retratou na televisão, sagas icônicas, sejam elas boas ou não, foram lançadas. Uma delas é Era do Apocalipse, que se estendia por várias séries diferentes do universo mutante.

Na trama, Legião, o poderoso filho psicótico do Professor X volta no tempo para assassinar Magneto e assim impedir que o Mestre do Magnetismo cometa vários ataques contra a humanidade. Entretanto, ele acaba matando Charles Xavier, mudando completamente a linha do tempo que havia sido estabelecida naturalmente. Nessa realidade, o mundo é controlado pelo mutante egípcio Apocalipse.

Como a saga foi muito bem recebida pelo público e criou versões totalmente novas aos personagens já amados pelo público, como um Dentes de Sabre mais cerebral e um Noturno mais agressivo, a realidade foi revisitada em histórias futuras da editora e até mesmo personagens importantes da trama seriam relevantes no universo 616, o universo convencional da Marvel.

Novos X-Men de Grant Morrison

Não é só nos cinemas que os X-Men aderem à moda do couro escuro como uniforme. A fase de Grant Morrison abraça a ideia que Bryan Singer levou aos cinemas no primeiro longa dos mutantes. Ao lado do quadrinista escocês, artistas renomados como Frank Quitely, Leinil Francis Yu, Chris Bachalo, Phil Jimenez e Marc Silvestri ilustram os arcos de histórias.

Morrison abordou uma estratégia um pouco diferente do que é visto nas histórias dos X-Men: apresentar novos estudantes do Instituto Xavier para Jovens Superdotados que não possuem dons claramente úteis e que chamam atenção por suas deformações corporais. Por exemplo, Bico, que é um jovem com um corpo se transformando em pássaro, ou Ernst, uma jovem que sofre de progeria e possui super-força. Com as deformidades que os novos mutantes apresentam, os traços dos quadrinistas conseguem ressaltar essas anomalias e deram ainda mais impacto à estranheza que o roteirista desejava.

O período do quadrinista ainda apresentou a droga Porrada, que era usada pelos jovens para aumentar as habilidades mutantes, o poderoso rebelde Quentin Quire, o relacionamento proibido entre Emma Frost e Ciclope, o ladrão Fantomex e Cassandra Nova, irmã de Charles Xavier que ataca Genosha, uma nação mutante, e dizima todo o local.

Surpreendentes X-Men

Antes de dirigir os dois filmes dos Vingadores, Joss Whedon já havia feito sucesso em outro projeto com a Marvel: roteirizar os Surpreendentes X-Men. A série foi uma sequência direta das tramas estabelecidas por Grant Morrison. Entretanto, o viés era totalmente diferente. Os novos alunos tinham pouca relevância, poucos X-Men faziam parte da equipe principal e uma trama espacial grandiosa seria o mote principal. Para ilustrar essa nova fase da equipe, John Cassaday foi o artista.

Whedon ainda deixa para trás alguns pontos estabelecidos por Morrison, como os uniformes de couro preto e volta a transformar os X-Men em um grupo de super-heróis que se preocupam com o mundo, não apenas com os problemas mutantes. Da era Morrison, o que se mantém são as ações badass do Ciclope, Cassandra Nova como um perigo para a equipe e o luto da morte de uma personagem querida.

Durante as 25 edições escritas pelo roteirista, as relações de vida e morte ganham grande impacto dramático. Kitty perdeu seu pai no ataque de Cassandra Nova à Genosha, Ciclope ainda enxerga Jean como um fantasma que acompanha sua vida, um x-man importante revive e outro se sacrifica como um grande herói. Whedon tira a equipe da relação intimista que Morrison havia dado a eles ao limitá-los ao universo mutante e acrescenta outros personagens do Universo Marvel para engrandecer o heroísmo do grupo.

A Saga do Anjo Negro

Os quadrinistas Rick Remender e Jerome Openã são os responsáveis pelas histórias mais memoráveis da X-Force. Os dois pegam conceitos importantes na construção das histórias anteriores da equipe e introduzem a realidade paralela da Era do Apocalipse para retratar o crescimento sombrio da personalidade do Arcanjo.

Com uma trama que coloca a equipe formada por Wolverine, Psylocke, Fantomex, Arcanjo e Deadpool em busca da reencarnação do vilão Apocalipse, que ainda é apenas uma criança, ela coloca Warren Worthington III, o Anjo membro fundador dos X-Men, de volta a sua forma corrompida de Cavaleiro do Apocalipse em grande destaque. O mutante não consegue mais controlar sua sanidade e tende a assumir o posto que antes era de seu mestre. Para tentar impedir que o amigo se perca, a X-Force busca ajuda até com o cientista Fera Negro, que os leva até a realidade conhecida como Era do Apocalipse.

Além de uma narrativa que traz peso ao drama dos personagens, principalmente na relação do triângulo amoroso entre Arcanjo, Psylocke e Fantomex, a arte de Jerome Openã é um deleite, principalmente no desfecho do arco. Um grande diferencial é o uso inteligente de Deadpool para uma trama tão sombria. Ele não serve apenas como alívio cômico, o Mercenário Tagarela mostra um pouco de sanidade quando tragédias e opções absurdas tomam conta do grupo.

Uncanny X-Force

Já conhecia estas histórias do Universo Mutante? Gosta delas? Qual outra que você gostaria que estivesse na lista? Fale para a gente nos comentários!